Acho que virou moda, costume, a força da impunidade, ou coisa semelhante.
Ruelas e/ou antigas travessas municipais, oficiais, comuns nos passados tempos do romântico bairro do Itaim Bibi, de um tempo para cá, ou melhor a partir da última década do século XX e início deste agora século XXI, foram tomadas, transformadas.
São as que:
– existem mas não existem
– estão mas não estão
– algumas tem CEP e são apontadas em guias de endereço.
Chegando-se lá, cadê? Sumiram, escafederam-se.
Além da rua Mariano Amorin Carrão, encoberta por um grande estacionamento particular, outra travessa lá da rua Tabapuã, paulatinamente foi se transformando num espaço particular, sendo mantido sob liminares jurídicas, etc. E não são só essas. Estamos falando da travessa Alex Vallauri, casas de 5 a 10, englobadas pelo único número 838.
Transformada em uma particular praça de alimentação, explorada por um só dono, com seguranças de terno preto, óculos escuros e tudo, sem contar os vallets e uma grossa corrente garantindo a privacidade à alguns privilegiados.
Absurdamente não se mantém aberto à municipalidade, o local público.
O Grupo Memórias do Itaim Bibi/SP está a procura e pesquisa fotos, fatos e memórias desse e de outros pedaços da história do bairro.
Mas por enquanto, pelo menos vamos saber do porque desse nome e quem foi tal figura, o Alex Vallauri?
Assim talvez contribuíssemos para um proveitoso desenrolar tanto às memórias e arquitetura da região do Itaim Bibi, como para a cultura de São Paulo. Exemplo anterior e bem recente já tivemos com a recuperação da travessa encoberta, transformada em um belo e aprazível JARDIM INTERNO e florido, na rua Leopoldo Couto de Magalhães Junior, quase esquina com a rua João Cachoeira. Visitem, vale a pena.
Alex Vallauri: – uma travessura na Travessa Alex Vallauri, situada na rua Tabapuã logo após a rua João Cachoeira e antes da rua Manuel Guedes, esta última a antiga Jeribatiba, no Itaim Bibi/SP. Foi um artista plástico que iniciou seus estudos de desenho na sua adolescência, em Buenos Aires.
Nasceu em Asmara, na Etiópia, hoje Eritréia, vindo para a capital argentina ainda criança junto com a família italiana judaica. Mudou-se para o município de Santos/SP-Br em 1965, quando desenvolve seu gosto pelas artes gráficas, realizando uma série de xilogravuras com temática social e etnográfica, com a qual recebe em 1968 a Medalha de Ouro na Exposição de Jovens Artistas de Santos. Cursa Comunicação Visual e Formação de Professores de Desenho, na FAAP – Fundação Alvares Penteado, formando-se em 1973.
Realiza sua primeira individual na Associação Amigos do Museu de Arte Moderna de São Paulo e participa de diversas coletivas, entre elas, a III e IV Jovem Arte Contemporânea do MAC USP e a XI e XIV Bienal Internacional de São Paulo. Trabalha simultaneamente como professor de desenho e diagramador.
Esteve por dois anos na Europa, quando começa a se interessar pela pintura mural e pela intervenção anônima na cidade, iniciando em 1978, os trabalhos de grafite que caracterizariam a sua produção.
"Alex grafittou imagens de símbolos que estão no inconsciente coletivo, como cupidos, diabos, acrobatas e bruxas que se misturam a comunicação de massa: televisões, geladeiras, guitarras, bolas e telefones, de onde jorram como mágica, pautas musicais, corações, alfinetes, piões, parafusos,raios e estrelas", entre outros afirmou também Maurício Villaça.
Utilizou-se de carimbos usados em trabalhos de Arte Postal, em Livros de Artista, camisetas, recortes de madeira, adesivos, e aplicados em diversos objetos e móveis. Nos anos 70, Alex Vallauri recupera para a arte contemporânea a técnica do Stencil Art, utilizada na modernidade, nos anos 30, pelos artistas da Ècole de Paris. Retoma este antigo procedimento de impressão – utilizado pelos grandes pintores, inclusive no renascimento – adaptando-o às artes plásticas contemporâneas. Criou figuras irônicas e ao mesmo tempo belas, simples, porém complexas.
Abriu caminho para uma legião de artistas, que em vez de usar os materiais convencionais da arte usaram a cidade como suporte para as suas obras. Aparece assim a escola vallauriana.
De 1982 a 1983, Vallauri permanece em Nova York, onde realiza diversas intervenções de grafite em murais, cenários e exposições.
Com seu retorno a São Paulo, influencia inúmeros artistas jovens, entre eles Waldemar Zaidler e Carlos Matuck, etc.Sua morte precoce, em 1987, de certa maneira encerra o primeiro ciclo do grafite no Brasil.
No dia 27 de março, data do aniversário de sua morte, comemora-se o Dia Nacional do Grafite, em algumas cidades brasileiras.