Aos 13 anos de idade, cursava a 7ª série no Colégio Joaquim Silvado (São Jorge) no período da tarde.
As dificuldades eram grandes em casa e por conta disso a minha mãe, que trabalhava em um condomínio na Lapa, (no Central Parque Lapa), anunciou que estava à procura de uma oportunidade de trabalho para o filho.
Logo veio a oportunidade de trabalhar em uma farmácia perto de casa (a Andrade), entretanto o senhor Marques, que era dono da farmácia, conversando com o contador dele descobriu que a empresa de contabilidade precisava de um office-boy.
Eu passei a cursar o ginásio (atual ensino fundamental II) no período noturno e durante o dia trabalhava no escritório, ali na Rua Dronsfield (em cima da antiga loja Antoninho esportes). Foi o meu primeiro emprego.
Era uma satisfação levar aquela vida. Saía para executar os serviços do escritório,sobretudo nos órgãos municipais, estaduais e federais.
Ao sair do escritório passava "nos" bombeiros para dar uma olhada nos peixes do aquário. Atravessava a rua e ia comer uns pasteis na pastelaria Aurora. Isso era sagrado, fazia todo dia.
Ia até a Rua Monteiro de Mello, esperava um ônibus com destino ao centro da cidade e,durante o dia, aliava o trabalho ao prazer. Tudo o que um menino da minha idade poderia querer, afinal andava o dia inteiro nas repartições e de quebra, acompanhava atentamente tudo o que acontecia na cidade.
O meu "sonho de consumo", vejam que bobagem, era uma pasta 007 que os meus "colegas de trabalho" office-boys usavam durante as suas andanças e “desfiles” pela cidade. Um dos contadores tinha uma e eu, acreditem, pegava a pasta e ficava andando com ela pelo escritório, como se estivesse ensaiando para o dia em finalmente teria a tal pasta.
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