Lá pelos anos 50, no esplendor dos meus 18 anos, eu tive oportunidade de assistir várias peças do chamado "Teatro de Revistas", que eram exibidas no Teatro Santana (ficava na Rua 24 de Maio, hoje é uma galeria). Arranjei até uma vaga para fazer parte de um grupo cujo trabalho consistia em aplaudir todos os quadros e vedetes que se apresentassem (acho que o nome da turma era Claque). Com isso eu não precisava pagar ingresso e tinha lugar próprio lá no balcão do teatro.
Entre tantas peças eu destaco as seguintes: "É De Xurupito", "É Fogo Na Jaca", "Tem Bububu No Bobobó", "Tôco Crú Pegando Fogo" e outras cujos títulos me fogem… As vedetes, “ahhhh”, as vedetes. Vejam só o time: Angelita Martinez, Anilza Leone, Berta Loran, Carmen Veronica, Consuelo Leandro, Elizabeth Gasper, Elvira Pagâ, Ilka Soares, Iris Bruzzi, Luz Del Fuego, Mara Rubia, Nelia Paula, Maria Pompeo, Renata Fronzi, Rose Rondele, Sonia Mamede, Virginia Lane, Wilza Carla, Zaquia Jorge, Sandra Sandré, Ester Tarcitano, Manon Godoy e Marly Marley (Viriginia Lane e Marly Marlei nos deixaram recentemente). Devo frisar ainda que essas meninas tinham corpos esculturais, nada de botox, silicone, etc., exibiam-se bem maquiadas somente com os dotes de beleza naturais (e que dotes!). Era muito comum elas se dirigirem aos espectadores da primeira fila para estabelecer diálogos maliciosos mas sem pornografia.
Hoje o teatro mudou muito, a tempos atrás fui assistir a uma peça e fiquei estarrecido com o número de palavrões que os figurantes falaram. Não sou nenhum puritano, mas tudo tem hora.
Por isso meus amigos, quem viu as peças do Santana, viu… Quem não viu…