Super Ação

Também tenho uma história, que por algumas vezes pensei em criar um livro, mas descreverei algo que me aconteceu há vinte anos:

Estava bem casada com um grande homem chamado Jose Francisco, qual me deu três lindos filhos; na verdade não foi muito fácil, porque a situação era complicada, trabalhávamos e educávamos os filhos na correria normal.

Quando pensamos em descansar, pois nossos filhos já estavam grandinhos, a casa já havia sido construída, qual surpresa no diagnóstico do meu esposo: tumor cerebral. Tudo parecia vir água abaixo; driblamos esta enfermidade por seis anos… Ele usava os medicamentos para a forte dor de cabeça e quando ele pressentia que ia ficar sem a fala, e a tremedeira no braço esquerdo diante dos colegas de serviço ou mesmo na casa de sua mãe, ele apenas se escondia no banheiro, ele não queria compartilhar com ninguém o que lhe fazia sofrer, apenas ele, eu e Deus sabíamos…

Até que chegou o dia de sua cirurgia, ele não quis que o acompanhasse, antes ele convidou nossos filhos, a Thalita com treze anos, a Thais com dez anos e o Thiago com quatro anos, explicou para as crianças que ele iria passar por uma cirurgia na cabeça e que um cuidasse do outro e todos da mamãe. Assim foi, ficou no pré-operatório, eu ia visitá-lo todos os dias, ele estava super animado, brincava com os demais pacientes… Nem parecia que estava doente; se preparando para não voltar, porque ele sabia… Deus havia lhe mostrado que não voltaria com vida, apenas me confortava, eu não estava preparada para ficar sem ele.

Quando passou a cirurgia, e que fui saber como havia transcorrido, para a minha surpresa o Medico me disse: “Senhora a cirurgia ocorreu muito bem, mas o seu marido se desentubou…” Não senti o chão… Perguntei algumas coisas de praxe na medicina, como restringir as mãos, etc… Ele me respondeu que o fizeram, e que não sabia o que tinha acontecido. Não quisemos mais questionar.

Ficamos aguardando uma semana para ele superar o coma… Que nada, recebi a notícia que eu jamais aguardei, mas precisava encarar os fatos. Tive muito apoio dos nossos familiares e da irmandade da Congregação Cristã, qual devo-lhes a gratidão; pois éramos amados por todos.

Tentei recomeçar, novamente me casei, com um rapaz viúvo também com três filhos, assim minha família estava enorme, senti insegurança em alguns momentos, pois sabia que a barra era pesada, eu tinha que dar conta, assumir um marido com três filhos e nada mais, não sei de onde tirava tanta força… Este relacionamento durou doze anos, por consequência da vida, passamos a não nos entender ele foi para um lado e eu para outro. Claro que sofri. Queria continuar a minha vida e ficar velhinha ao lado do homem que eu amava, houve uma transferÂncia de amor, até que resolvi dar um basta e tocar a minha vida, e deixar de choramingar pelos cantos.

Resolvi tomar uma atitude, fui cursar francês e inglês no Mackenzie, pensei em concluir os estudos; ou seja: o fundamental, o médio, e prestei vestibular em algumas faculdades, passei. E então resolvi prestar no Mackenzie por ser mais difícil, e passei também, fiz Pedagogia em dois anos, pois há muitos anos havia feito o magistério e não me enquadrava no ensino atual. Trabalhei por 18 anos em uma Instituição Municipal, exercendo a função de Educadora Infantil, qual me especializei.

O que me trouxe maior satisfação foi uma mãe, que talvez em momentos angustiantes antes de partir da terra, pediu a Deus uma pessoa para criar e educar seus filhinhos, e fui a privilegiada, tive que enfrentar algumas barreiras, mas em nenhum momento faltou em minha casa roupa e alimentos, broncas e carinhos também, fiz tudo que esteve em meu alcance.

Compartilhei na educação das seis crianças: Thalita, Thais, Thiago, Raquel com cinco anos, Junior com dois anos, e Daniele com um aninho, que vieram para eu cuidar como mãe. Algumas falhas e discordâncias aconteceram, somos seres humanos e falhos.

Hoje são todas pessoas do bem, adultas; cada uma com seus esposos, em minhas orações continuo apresentando todos.

Claro que tive outras historias, mas hoje são apenas páginas brancas que ficaram e ficarão viradas para sempre na minha memória. Se um dia o Grande Escritor permitir que eu venha escrever outra historia nestas paginas brancas, porque não?

Tudo isto vivido aqui nesta grande metrópole, quando vou viajar e chego aqui em São Paulo, nossa sinto uma grande felicidade de ser uma Cidadã Paulistana.

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