Suocere, Suegra, Sogra!

(Feliz foi Adão que não teve sogra, nem caminhão – frase de pára-choque de caminhão)

Certas coisas, situações e SOGRAS pouco mudaram quanto ao conceito desde que me conheço por gente. E, desde os meus tempos de moleque, quando alguém falava bem da sogra, só faltavam chamar o indivíduo de blasfemo, herege e entregá-lo à Santa Inquisição.

Nos anos 50, eram conhecidas como Bruacas velhas, Onças, Dragões a cuspir fogo; nos anos 60, eram "a mãe do demo", a cascavel de muitos anéis no chocalho; nos anos 70, quanto ao nome, ficaram divididas entre General e Miss Dói-Codi, e carinhosamente chamadas de Brahma – porque, como a cerveja, sogra só é boa gelada, em cima de uma mesa… Nos anos 80, tinham muitos apelidos: Cão dos Infernos, Múmia paralítica, "Despacho" largado na minha porta etc. Nos anos 90, eram conhecidas por muitos como futuras Miss Asilo, Miss Casa de Repouso. E desde meus tempos de moleque, "amorosos" genros viviam repetindo: “Se minha sogra entrar na cozinha e lá estiver um rato é ele quem sobe na cadeira e começa a gritar…”

Comparo as mulheres a um computador da Microsoft. Enquanto meninas, moças, esposas, mães e avós funcionam perfeitamente. Podem ser atualizadas, aceitam adições e se harmonizam até com programas piratas. Facilitam a nossa vida. Mas, quando elas entram no "modo sogra", adeus! Os programas "travam", e o indestrutível vírus "sogra-maledicenti infernali" se instala e deleta todos os programas de alegria e os projetos de vida feliz. E não adianta formatar. Melhor comprar um novo. Não há quem devolva ao computador a funcionalidade antiga. Vai funcionar. Mas, com uma má vontade, com uma lerdeza e insatisfação de enlouquecer o usuário. Os sons do Windows vão ser substituídos por uma gargalhada irônica e por uma voz irritante a lembrar quanto o usuário é desprezível e inútil.

A Web, então, vai restringir as informações a frases curtas, a resmungos e monossílabos e, na maioria das vezes, por pirraça vai demorar "todo o tempo do mundo" para carregar uma página e também, por puro prazer de infernizar, depois de demorar faz aparecer na tela o aviso de que a página que se está tentado acessar não existe. É. Aquela página que sempre se acessa rapidamente! Pode?… Pode sim! E aos genros, ou noras, um aviso: Nesse "modo" não façam e nem mandem currículos via Internet! Pois o "vírus sogra" vai reescrever boa parte do que já está escrito e, em páginas e páginas de longo depoimento pessoal, vai escrever "o que pensa sobre vocês"…

Sogras!… Era incrível a quantidade que tínhamos delas lá no quarteirão, na rua e adjacências! Eram Suocere (italianas), Suegras (espanholas) e Sogras (portuguesas e brasileiras). E todas eram "muito" amadas!

Décio contava: "Posso dizer que sou o genro mais feliz do mundo! Casei-me com uma órfã…"

O Renzo, quando uma freira bateu à sua porta perguntando se ele não tinha em casa alguma coisa que não usasse mais, que estivesse tomando lugar, ou que fosse inútil, ele poderia doar para a campanha de ajuda aos pobres… cortou a fala da freira e gritou para a esposa: "Marì! Traz a tua mãe. Tem uma freira querendo levar ela para passear…"

Seu Herrera, com um discreto sorriso nos lábios, recebe os pêsames de um amigo no velório de sua sogra. Seu Herrera agradece e sussurra ao ouvido do amigo: "Pode me dar os parabéns! O velho dragão foi tarde! Foi bater continência para São Pedro…" E acrescentou, com um risinho maroto: "Coitado do São Pedro…"

O Siciliano da rua de cima entrou em casa e a sogra já foi, como sempre, "soltando os cachorros" em cima dele. Ele mandou a sogra calar a boca, pois não estava a fim de ouvir merda. A sogra pegou a vassoura e deu-lhe uma vassourada nos cornos. Ele, furioso, quebrou a vassoura e o braço dela.

Andreíno, um calabrês de pavio curto, aos gritos batia boca com a sogra. Não aguentado mais, empurrou a sogra para fora da casa e trancou a porta. A sogra chamou e a Rádio Patrulha veio. Abre! Não abro! Olha que vamos arrombar!… A porta foi aberta, a sogra entrou e botou o Andreíno no olho da rua. Afinal, a casa era propriedade dela…

E até o tio Amedeo, casado já há algum tempo, fazia das suas. Tinha uma sogra que o conhecia desde pequeno e que, portanto, era mais mãe que sogra. E pasmem! Adoravam-se, davam-se muito bem! No aniversário da sogra, meu tio a levou de carro para escolher a roupa que ele iria dar-lhe de presente. Titio levou a sogra até porta de uma agência funerária e foi logo dizendo: "Escolha o que quiser! Eu pago!" E caiu na gargalhada. A sogra chorou de tanto rir e como sofria de incontinência, principalmente quando ria muito, urinou no banco do carro. Tio Amedeo ficou fulo. O tiro havia saído pela culatra. Disse para a sogra: "Não brinco mais com a senhora!" A sogra começou a gargalhar novamente. Meu tio disse a ela: "Se mijar de novo no banco, vai a pé pra casa!…"

Mães de filhas não são tão intragáveis. Insuportáveis, mas não intragáveis. Porém, com "mamma di fligli maschi" (mãe de filhos machos) a coisa vira a terceira guerra mundial. Melhor, o Apocalipse de cabo-a-rabo! Pode ter vinte filhos. TODOS são dela! SÓ DELA! Todos são os queridinhos della mamma, de la mamá, da mamãe. E por vontade própria, jamais abrirá mão deles. Mas a vida, um belo dia, "a apunhala no coração", tirando-lhe a razão de viver. Então, ela fica doente, amarga, sentindo-se traída pelo Destino "que lhe arrancou dos braços (Por que não dizer do ventre?) sem piedade alguma, a razão de sua vida…" Nesse estado, ela desenvolve uma disposição excepcional para infernizar a vida dos outros. É aí que entra a "víbora peçonhenta que destruiu todas as alegrias de um pobre coração de mãe": Para nós, a nora! Para as mães, a Jezebel, a Messalina!…

Lembro tão bem a historinha que o seu Elias contou:

O filho entra na cozinha, beija a mãe e diz que há algum tempo conheceu uma boa-moça, e como o namoro está firme, ele queria que a mãe a conhecesse, pois pretendia ficar noivo da garota. A mãe empalideceu, as pernas bambearam. Rapidamente o filho a amparou e fez com que ela se sentasse. Sentou também e continuou a falar sobre a namorada: Ela era bonita, prendada, culta e educada. Muito religiosa… A mãe, pálida e muda, ouvia somente e, vez ou outra, movia a cabeça concordando com o que o filho dizia. Animado com isso, o filho continua tecendo louvores à mulher que ama. Quando o filho termina de falar, a mãe levanta-se, dá um profundo suspiro e diz: "Se você gosta dela, se ela tem todas as qualidades que você nomeou, fique noivo. Case-se e seja feliz. Apenas uma coisa, meu filho, você falou tanto dela, mas não disse qual é o nome da vagabunda…"

Sogras! Há tanto o que se dizer. Lembrar sobre elas… Tanta coisa para se falar a respeito do "talento" que elas têm de nos infernizar, perseguir. Da perfeição com que representam a Vítima em público, para esconder o Carrasco impiedoso que elas são na vida privada.

Morar com a sogra é um orgasmo a três! Ela, Sade e Masoch!

Há tanto o que lembrar; o que falar sobre elas… E eu, aqui, já lhes fiz a minha homenagem. Lembrei os momentos agradáveis em que elas eram "homenageadas" com dedicação e ternura. E falei o que penso delas. Agora faltam vocês a prestar-lhes sinceras homenagens. Vamos, comecem a pensar, a escrever os textos! Não sejam tímidos! Ou serão medrosos? Será que suas sogrinhas fizeram o curso de informática só para xeretar no PC de vocês?… Fizeram? É? É mesmo?…

Ah! Em tempo: Antes que me lembrem, vou avisando que SEI que existem sogras maravilhosas e aos montões! (Que continuam sendo exceção à regra!) Mas, sogras boazinhas não têm graça. Prefiro as sogras "butantanescas", aquelas de boca mortal e língua ferina. Sogras boazinhas não contam. O que conta é o arquétipo universal dessa serpente que transitou pelo Éden e que transita pelo paraíso dos genros e noras de todas as gerações.

Aproveito e mando um beijo para minha ex-sogra. E que Deus a conserve sempre, em formol, em um Museu de Anatomia em qualquer lugar do mundo. Bem longe de mim…

E, para aquele que não sabe, minha ex-sogra é uma das exceções. Gosto demais dela e somos, sempre, unha e carne. E ela vai rir à beça quando ler este meu texto… Ela dizia e diz barbaridades a respeito da sua "sogrinha querida".

Sogras! O sal que tempera a vida!

É por isso que há tantos genros e noras sofrendo de pressão alta…

e-mail do autor: [email protected]