Tenho 60 anos, nasci em 14 de junho de 1946 em uma casa na rua Silveira da Mota, n. 300. À época eram as parteiras que auxiliavam os nascimentos dos bebes.
Meu pai era entalhador, profissão que aprendeu no Liceu de Artes e ofícios e trabalhava com seu irmão Delvin. Éramos sócios do Clube Internacional do Cambuci, na rua Silveira da Mota e às sextas feiras o clube exibia filmes. Só que cada pessoa tinha que levar sua cadeira, pois o clube não dispunha de lugares para todos os moradores do bairro. Joguei muito futebol na várzea do Glicério e fazia "ginástica" na várzea da rua Climaco Barbosa, próxima a malharia Cambuci, hoje Penalty. Ajudei muito meu tio Oswaldo Pinotti, proprietário de um caminhão marca Chevrolet – ano 1946, câmbio seco, a carregar fardos de pano de algodão para o centro atacadista da rua Vinte e Cinco de março. Freqüentei muito os cines Itapura, ao lado do Parque Shangai, e também cines Riviera, na Lins de Vasconcelos e Cine Roma, quando a entrada ainda era pelos fundos, visto que a avenida radial leste ainda não havia sido construída. Aos dezessete anos namorava no Parque D. Pedro, sem medo de assaltos e trombadinhas. Aos sábados ia ao Clube Esso na esquina com a Praça da Republica, e depois das 4 da manhã seguíamos a pé pelo centro velho de São Paulo e parávamos na rua Direita para jogar bilhar. Pegávamos o ônibus na Praça da Sé, ou o bonde na Praça Clóvis Beviláqua. De madrugada as ruas eram lavadas e quando amanhecia as ruas estavam limpas. Estudei no Grupo Escolar Armando Bayeux, na rua Anna nery e no mesmo prédio funcionava o Ginásio Estadual Professor Roldão Lopes de Barros. Completei o quinto ano, obrigatório à época no Ginásio Estadual Oscar Thompson, na rua justo Azambuja. o Conjunto do IAPI que foi construído em parte da várzea do Glicério. Meu pai comprou uma casa na rua Vicente de Carvalho, n.306, para pagar em 100 parcelas iguais, com juros tabela Price. Várias vezes reformado pelo construtor pedreiro Sr. Gildo, embrulhão como ele só. A casa, geminada ficava próximo ao corpo de bombeiros, e quando chovia muito, as ruas ficavam alagadas devido ao trasbordamento do rio Tamanduateí. Largo do Cambucí, quando ainda existia o bebedouro para os burros das carroças, o antigo cine Cambuci, posteriormente transformado em supermercado – Peg Pag, novidade na época. A cantina Tito Skipa na rua Ana Nery, a farmácia do Tuphy, o médico de todos Dr. Américo Spinelli, a fábrica de cordas da família Giusti, na rua José Bento, a garagem da transportadora Lusitânia, a quitanda do Sr. Manoel, a padaria dos italianos Pascá e filhos, o bar do Sr. Martins, que depois vendeu para o Belchior. O velho Nicolau – marceneiro de mão cheia. Velhos tempos que me traz muitas saudades. A mercearia do Sr. Elias na esquina da Vicente de Carvalho com a Rua anna Nery, tinha um sabor especial quando se pagava a conta feita do mês, na caderneta, eu e minha irmão ganhávamos um pirulito. Por ora é só. gostaria de encontrar amigos daquela época. Abraços Pedro Desidério Mosconi. Outra estória que irei contar é da escola técnica Antarctica, mantida pela Fundação Antonio e Helena Zerrener – dona da companhia antarctica paulista. Caso tenham gostado da estória, peço que me avisem, Saudações do morador do Cambuci – Pedro Mosconi