Quando saímos do metrô, uma lufada de vento frio nos atingiu. Levantando a gola do paletó, procurei proteger o peito. E o dia cinza nos acolheu, e engoliu. Andamos algumas quadras. Nas esquinas, alguns sem-teto procuravam se encolher em seus cantos, pois o frio chegara de forma inesperada, no dia anterior tínhamos sol e calor. Enfim, ali estava o prédio, sua bela e antiga estrutura encimada por um torreão de vidro.
Enormes filas, pois a exposição começara às 15h do dia anterior, virara a noite aberta, e agora ali estávamos esperando que o elevador nos desse a vez. Só três andares, mas como o prédio era pequeno era necessário aguardar que as salas esvaziassem um pouco. Finalmente, desembarcamos no topo.
Em frente, uma claraboia multicolorida sobre o poço circular, ao redor do qual giram as salas. Descem-se lances estreitos de escada. Abrem-se portas… Nada tem a ver com a São Paulo atual. Estamos é na Paris Belle Époque, a qual está relacionada à mostra.
Abrem-se as portas do espetáculo. Em estreitos círculos, a penumbra nos recebe para realçar os quadros. Cada seção um tema: Paris é uma festa; A vida parisiense e seus atores; Fugir da cidade; A vida silenciosa… é a exposição "Impressionistas – Paris e a modernidade" vinda do Quai d´Orsay, e agora no Centro Cultural Banco do Brasil, na Rua Álvares Penteado.
Alguns quadros nos remetem ao clima da São Paulo que hoje encontramos lá fora, outros são iluminados e coloridos, como sob o sol do Midi. Encontramos ali velhos e consagrados conhecidos: Van Gogh, Lautrec, Gauguin, Manet, Monet, Renoir, Cézanne, Degas, ao lado de outros menos divulgados. Vallonton, Boldini, Lépine, Bonnard, Vuillard. Uma beleza.
Vamos descendo, os lances de escada são complicados, há cartazes indicando onde continua a exposição, que ninguém se perca. Sempre circulando no abismo, onde abaixo se vê o belo piso do prédio. No final, uma penumbra mais densa: chegamos ao fim do poço, e também da mostra. São os cofres do antigo Banco do Brasil; percorremos o espaço que abrigava montes de dinheiro, e agora tesouros de arte. Como em Paris, o metrô São Bento está a poucas quadras. Retornemos à São Paulo do século XXI.
E-mail: [email protected]