Simplesmente: doeu!

Cá estava eu, procurando matar o tempo…
 
Viajei pelo google earth, através de meio mundo: fui do Amazonas ao deserto do Saara, Mar de Aral, Austrália…
 
Que maravilha poder viajar tranquilamente! Ver paisagens que na infância, na juventude, na vida adulta, só era permitido pela imaginação.
 
Mas o "mouse" teimosamente me levou a um cantinho de São Paulo: Vila Nair, Ipiranga.
 
E lá fui descendo pelas ruas que fizeram parte de minha infância, de minha juventude. A esquina onde, à noitinha, a moçada se reunia, contando piadas, uns gozando as "furadas" dos outros… Fui tentando identificar as ruas, as casas, e relembrando fisionomias, que certamente, igual a minha, estão mudadas.
 
Parei numa esquina, um sobrado na Rua Jamboaçu, número 35.
 
Com certeza absoluta, foi arquitetado, construído, com muita dificuldade, mas tinha um estilo novo, linhas retas e uma espátula no final da fachada, que lhe dava um toque diferente do ano de 1962.
 
O construtor, engenheiro, pedreiro, carpinteiro: todos como um só. Auxiliados pela força de vontade da família. De todas as pessoas, uma destilava ansiedade impar, ao ver, aos poucos, um sonho que durante muitos anos cultivava, sendo realizado:
 
"Ter uma casa própria". Sem luxos, sem maiores privilégios, pois as tarefas domésticas seriam as mesmas, mas na sua casa. Se orgulhava daquela imensa conquista.
 
E a imagem do tal sobrado lá está. É até difícil de acreditar: desfigurado, pichado… Que pena!
 
Ainda bem, que ela não está mais aqui para ver no que se transformou seu sonho!