Estávamos no ano de 1953, era uma linda quarta-feira à noite, os meus pais me levaram a dar um passeio pela Av. Paulista, descemos a Rua Augusta a pé e fomos vendo as lojas, o movimento das pessoas. Eu tinha 13 anos de idade e estava muito contente, o meu pai bem vestido de terno e gravata, chapéu, parecia um lorde. Também a minha mãe estava bem vestida, era o normal da época, em qualquer passeio as pessoas saiam bem vestidas, ao contrário do dias de hoje.<br><br>Estávamos passando pela porta do Cine Majestic, quando o meu pai parou para ver o cartaz do cinema. Estava passando o filme “Os brutos também amam” (Shane). O meu pai gostava do ator Alan Ladd e entramos no cinema, compramos drops, chocolate e fomos ver o filme. Foi uma das noites mais lindas da minha vida, o filme foi maravilhoso, um dos melhores de faroeste que eu já assisti. O meu pai gostou tanto do filme que no dia seguinte voltei com ele para ver de novo.<br><br>Este filme marcou uma bela passagem na minha vida. Foi um sucesso de bilheteria, parece que ganhou até o Oscar. Ele ficou anos em cartaz nos cinemas da cidade, passaram-se os anos, eu fiquei adulto, minha mãe faleceu em 1975 e o meu pai em 1983, vieram os filmes em DVD, a televisão tomou conta dos filmes e bons programas, os cinemas foram desaparecendo.<br><br>Certa vez estava na Casas Pernambucanas escolhendo uns filmse em DVD quando, de repente, ao escolher um filme, encontrei um DVD “Os Brutos também amam”. Na hora eu lembrei da linda noite de quarta-feira de 1953, junto com os meus pais, vieram-me as lágrimas. Em casa, sentei-me no sofá e sozinho assisti ao filme; parecia que os meus pais estavam comigo novamente, chorei muito quando o filme terminou, fiquei pensando por que tudo tem que acabar, todos os artista do filme já morreram, os meus pais também morreram, daquela noite de quarta-feira de 1953 eu sou o único sobrevivente.<br><br><br>E-mail: [email protected]