Serra da Cantareira

Era uma marca registrada de São Paulo até 1960. Era o horizonte norte da cidade visto de qualquer lugar, uma faixa azulada onde a cidade parecia chegar ao céu. Podia ser vista de todos os bairros. Uma faixa no horizonte que mais parecia uma parede de céu. De lado a lado, a mesma altura feita por uma mão poderosa. Nenhuma casa ou clareira, só o verde azulado.

Tinha nuvens que se apoiavam nela semana sim, semana não. Adorava correr os olhos na Serra inteira procurando um ponto de referência, mas nunca achei nenhum. Era simplesmente uma parede colocada lá que segurava o nosso céu!

Aí aconteceu a verticalização e quando se consegue ver uma parte da Serra da Cantareira bate uma saudade dos sobradinhos, da garoa e da terra boa. Atualmente garoa e o antigo orvalho secaram e a terra nem encontramos mais.

Algumas vezes fomos na Cantareira, três ou quatro casais para comer churrasco de madrugada, em churrasqueira que se improvisava. Era divertido, mas era muito frio. Depois acho que os prédios cobriram a Serra ou esquecemos de olhar o horizonte.

Ela continua lá. Mas perdeu a permanente exclusividade do horizonte. Agora ela tem que compartilhar o fundo azul com muitos milhares de prédios que brotaram em todo canto na capital paulistana, prédios que esconderam todos os horizontes.

Foi lá que os Mamonas Assassinas caíram com seu avião deixando muita saudades daquela maravilhosa, alegre e sonora irreverência. Acabaram cedo e sem aviso.

Agora no meio de tanto prédio, quando encontramos um terreno vago e sem uso, coisa meio rara em São Paulo, lá está!

Um pé de mamona no meio do mato.

Faz lembrar a turma de Guarulhos morta no horizonte azul da cidade bandeirante.

Agora quando pensamos nos Mamonas, pensamos na Serra da Canta…
Canta Mamonas!

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