Será que minha ceia de Natal foi com Papai Noel?

Dia 24 de dezembro, o ano não importa, pois para mim não tinha sido nada bom. Minha relação até com meus pais e minha esposa tinha se deteriorado, o que fez com que eu estivesse sentado em um banco escuro e duro, na antiga rodoviária de São Paulo, sozinho e ouvindo incessantemente uma “musiquinha” de Natal das Casas Pernambucanas.

Um senhor sentou-se ao meu lado e pediu uma informação. A conversa continuou e ele falou que não conhecia São Paulo, estava de passagem pela cidade e embarcaria de volta para sua casa dali a algumas horas. Perguntou o que eu fazia lá àquela hora e eu, não sei por que, mesmo sem conhecê-lo abri meu coração e lhe contei tudo o que me acontecia. Ele ouviu com atenção e de vez enquanto fazia algum comentário.

De repente, ele me convidou para jantar. Eu educadamente recusei, mas ele insistiu e me convenceu a aceitar. Durante a janta em um restaurante simples quase só ele falou. Falou muito sobre amizade, solidariedade, perdão, união e recomeço. Fez questão de pagar a conta sozinho, como que adivinhando que meu dinheiro era pouco.

Despedimos-nos com um abraço e ele me desejou um Feliz Natal. Seguimos cada um seu caminho, ele em direção à rodoviária e eu em sentido contrario, a pé e meditando, em direção a casa dos meus pais, resolvido a recomeçar minha vida e pedir perdão as pessoas que eu tinha ofendido, começando por meu pai e minha mãe.

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