Éramos jovens, eu um garoto de apenas 14 anos, recém- saído das calças curtas e ela uma graciosa e sardenta menina de rabo de cavalo, estávamos verdadeiramente apaixonados; uma coisa estranha estaria acontecendo na gente, nossos olhos brilhariam de uma maneira diferente a cada encontro; engraçado, a gente nem se tocava, seria uma timidez, uma química nos envolvia. Tinha ela também 14, seu pai era por demais severo nas suas atitudes, mas todavia flexível, o importante era a felicidade de sua filha.
O cenário, como não poderia de ser, era uma pacata rua, fins dos anos 50, em um tradicional bairro da então São Paulo onde os valores humanos se sobressaiam sob todos os aspectos; respirava-se paz e harmonia. Senhor Carlos, posso namorar a sua filha? Tenho boas intenções, estou estudando, penso em ser alguém na vida, sua filha é tão linda e ela no seu íntimo também deseja o meu amor.
Senhor Carlos, posso namorar a sua filha? A angústia já está tomando conta do meu coração, não queremos namorar as escondidas; caso o senhor não permita nem sei o que será da minha vida, diria em uma ansiedade incontida. Um dia aconteceu o consentimento, nossos jovens corações transbordaram de alegria. Senhor Carlos, fala sogrão, posso me casar com a sua filha? Aconteceu o consentimento e aí fomos felizes para todo o sempre…
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