Se contar ninguém acredita

Sou gaúcha de Porto Alegre, e como todos sabem o que se diz lá fora é que paulistano não gosta de dar informação. Como aconteceu assim, acredite se quiser. Eu tirava umas feriazinhas em São Paulo perto do natal de 1987, (mais ou menos nessa data), me hospedei em um hotel três estrelas na República e sem conhecer a cidade, tinha medo de sair para passear e me perder sem poder voltar para o hotel. Até que chegava o dia de voltar para Porto Alegre e, como era véspera de natal, não poderia voltar sem levar algumas lembranças, então resolvi criar coragem e desci para a rua para procurar uma loja de brinquedos, pois na época meu sobrinho morava com meus pais e eu queria presenteá-lo ao chegar em casa. Resolvi pedir informação a um jovem que estava sentado no calçadão lendo um jornal, ou uma revista, sei lá, (essa é a cara do paulista), prontamente esse rapaz levantou e me acompanhou a uma loja que acredito ser o antigo Mappin, lá eu procurava demoradamente por um brinquedo que se adequasse à idade do meu sobrinho e o rapaz pacientemente me esperava, quando concluí a procura dirigi-me ao caixa para pagar quando fui surpreendida com uma mão sobre a minha e o jovem me dizendo que eu esquecesse isso, pois quem iria pagar a compra seria ele. Surpresa, concordei. Quase sem falar muito nos aproximamos da porta de saída e eu ainda cismada, me aproximei agradecida e o beijei, fui retribuída com um carinhoso beijo e um sorriso que jamais esqueci e assim nos despedimos sem nuca mais nos vermos. E dizem que paulistano não é atencioso. Hoje sou casada com um paulistano, da Vila Medeiros que torce para o Santos e temos três filhos gaúchos e uma filhinha paulistana, e sou muito feliz nessa linda e maravilhosa cidade que eu amo de coração.