Saudades dos velhos trens de Santos a Jundiaí

Lembro-me do Pico do Jaraguá
ainda sem as torres de TV
Das estradinhas de terra
que hoje não mais se vê.
Da velha Taipas, de Pirituba,
havia também Perus.
E depois de Francisco Morato,
vinha à famosa Caieiras,
Isso tudo antes de Jundiaí.

São Paulo parecia meio isolado,
Tudo isso era separado
Por grandes florestas fechadas,
poucas casas se viam,
Linhas de ônibus não havia,
E pra gente conhecer tudo isso.
Só mesmo pegando um trem…

A velha Maria Fumaça
Fazia grande arruaça
Com seu apito estridente
Caminhava lentamente
Num passo bem diferente,
hoje em dia daria mesmo até pena.
Tava mais para o Rubinho
Do que para o Airton Senna.

E como era gostoso
Andar pelos corredores
De vagão em vagão.
Com o trem em movimento
Que parecia dizer baixinho,
Até com muito carinho:

Café com Pão, bolacha não.
Café com pão, bolacha não.

Não havia tanto acidente.
O povo era mais prudente,
E a gente via os parentes
Visitando sempre a gente.
Hoje em dia nem mesmo
quando ficamos doente
ninguém encontra mais tempo
pra vir espiar a gente.

O trem se foi de repente
A Maria Fumaça fugiu
O Asfalto tomou conta
O chão de terra sumiu
E só ficou a saudade,
Encalhada em nosso peito
Daqueles apitos estridentes
Daquele sonzinho gostoso
Que nunca mais esqueci!

Café com pão, bolacha não.
Café com pão, bolacha não..

E-mail: [email protected]