Saudades do Matão

Não pude simplesmente ler. Impossível! Tinha que escrever também. Em 1965 ingressei no então "CEEN Padre Manoel da Nóbrega", "Matão". Não se assustem não, o “Matão” começou como Colégio Estadual e Escola Normal Padre Manoel da Nóbrega. Depois passou para Instituto Estadual de Educação – IEE e mais tarde E.E.P.S.G. Padre Manoel da Nóbrega. Confesso que nem sei qual a atual designação. <br><br>Enfim, primeira série com professora Neusa Corrêa da Silva Sapienza. Nem se atrevam a me perguntar como ainda me lembro de alguns nomes tão claramente, eles simplesmente vão surgindo lá do fundo, sabe Deus de onde. As outras eram a Gilda, a Therezinha Guilhermina de Bem, brava que ela só, um amor de pessoa para quem teve o prazer de conhecê-la como eu, e a Zeide. A senhora Vanda Corsi Gomes e suas auxiliares na sempre eficiente secretaria. O temido José Domingos Tancredi, diretor do colégio, e minha mãe, Vera Ribeiro de Araujo, diretora do Curso Primário Anexo.<br><br>Anexo por ter sido trazido do "José Carlos Dias" para ser integrado ao "Matão". Disciplina rígida que odiávamos, mas que hoje faz uma falta danada. Quem viveu esse período sabe. Horários rígidos, portões fechados e muros altos, suspensões e livro "PRETO" de ocorrências aos montes. Uniformes impecáveis, na cor e altura, brasão do Matão, hinos na ponta da língua, nacional e escolar exaustivamente ensaiados pelo senhor Antão, executados no hasteamento das bandeiras todas as manhãs.<br><br>Jogar bola? Só na quadra e em horário de Educação Física. Fumar no pátio ou no banheiro? Nem pensar. Nem na calçada de fora da escola onde, aliás, só o senhor Fernando reinava com seu carrinho azul de pipocas. Outro dia alguém me disse que ele ainda está por lá, pasmem! São mais ou menos uns quarenta anos! <br><br>Nós amargamos muito, mas também no divertíamos e tenho certeza que nenhum de nós trocaria a educação da época pela de hoje, com todo o respeito aos que hoje lá estão. As festas eram realmente de arromba. As gincanas, as juninas, memoráveis, inigualáveis, campeonatos culturais e esportivos interclasses, e externos no DEFE A rivalidade com outras escolas tradicionais como Colégio Santo Alberto. Jogos onde saiam faíscas! Bons tempos do handebol, voleibol, futebol de salão e das comemorações diversas, "Dia do Índio", "Dia da Bandeira", da "Independência". Ah… Saudades. <br><br>E os mestres. Simões, Badê e Gino judiando da gente nas quadras. Professores fantásticos e dedicados como o Régis e Celso de português, o Júlio e a Regina de química, a Lélia e o Franklin de física, a Fani de inglês, a Cecília de matemática, o Benjamin e o Alair, o Borin, o Osvaldo, entre outros tantos. Inspetores como o seu Vinhola, o senhor Alceu, a senhora Neusinha, a ‘Dona’ Cleusa, a ‘Dona’ Dagmar, na cantina os senhores Nélio e Osvaldo…<br><br>Quantas lições de vida nos deram, além de todo o conhecimento que nos transmitiram. Que me perdoem os outros tantos cujo nome não citei, pois a memória já não é tão boa, mas os ensinamentos deixados por todos (citados ou não) edificaram a minha vida. E é claro, os colegas e amigos de 1965 a 1968 e depois, de 1974 a 1976, durante o primário e o colégio.<br><br>Já o ginásio eu cursei no Industrial, outra excelente escola onde aprendi muito em todos os sentidos, mas essa já é outra história.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>