Em março de 1964 fui morar em São Paulo no bairro de Vila Maria. Arrumei um emprego na Praça da República cuja conexão era um pouco complicada, pois a Empresa Auto do Pari tinha ônibus até a Praça Clóvis, ou então da Praça da República até a vila Guilherme o que me obrigava fazer o trajeto a pé da Pç. Clóvis até a República passando pela rua Direita, pça do Patriarca, viaduto do Xá, Barão de Itapetininga,etc. Depois arrumei outro emprego na rua formosa e almoçava no restaurante Giratório. Interessante que eram dificuldades que não se sentia talvez pelos 16 anos de idade. Andava-se muito de ônibus, bastante a pé, tudo muito longe, mas a alegria era constante, tudo era maravilhoso. Aquelas filas de ônibus intermináveis no Anhangabaú cheias de meninas que paquerávamos do começo ao fim, era um deleite para na saída do serviço. Uma vez achei uma carteira de identidade de um homem com o telefone da empresa que trabalhava, isto foi em 1965, liguei para devolver, a moça que atendeu ao telefone foi muito simpática e conversamos muito. No dia seguinte liguei novamente para ela e acabamos marcando um encontro para o sábado embaixo do relógio da Galeria Prestes Maia, às três da tarde. Era uma tarde de sol bem agradável, porém eu tinha contraído uma gripe e com um pouco de febre ainda esperei-a por longas horas, ela nunca apareceu. Jamais esqueci este desencontro e jamais esqueci seu nome que era Valentina. Onde será que ela está? São doces lembranças que não se esquece nunca. Lembro de São Paulo dos anos 60 com muito carinho, pois o que sei e o que sou devo somente a esta cidade com um povo maravilhoso, alegre, simpático, e o mais importante, simples. Mais tarde fui morar no bairro da Bela Vista e fazia o trajeto a pé pela 9 de julho até o Anhangabaú, apreciava toda aquela arquitetura, aqueles postes de metal trabalhados, o ônibus elétrico, os bondes,(fechados e abertos). Sempre dentro de uma crise nostálgica me volto para esta cidade.
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