Lembro-me como se fosse ontem! A primeira vez que vim a São Paulo, na época morava em Socorro e tinha seis anos de idade, lá pelos idos de 1950.
Descemos daquelas peruas de madeira que faziam o transporte, na Rua Mauá, e ao ver o bonde passando gritei para a minha tia: “Olha!!! Um trem no meio da rua!!!”. Todos que estavam na calçada deram risada!
Aí fomos até a Estação da Luz "pegar" o trem que ia para Santo André, e descemos em Utinga. Aquela primeira visão da grande cidade me fascinou, e eu, na minha "santa" inocência de um garoto caipira, pensei: “Ainda virei morar nesta cidade!”.
Lá pela década de 60 me mudei para Santo André e fui trabalhar em uma agência bancária no centro de cidade, e para mim era uma festa quando o gerente me escolhia, ou convocava, para levar o malote de compensação até a Rua Álvares Penteado (sim, naquela época a gente fazia a compensação de documentos via ônibus). Descia no Parque Dom Pedro II, subia a Ladeira Porto Geral com aquele saco nas costas, ia até a agência central do banco e esperava pelos outros documentos. Fazia o caminho inverso, pasmem, tudo sem segurança, sozinho!
Nas outras vezes, vinha para Socorro visitar parentes e amigos e, claro, pegava o último ônibus para São Paulo. Chegando na cidade grande, ia até a Estação da Luz e… cadê o trem??? O último já tinha saído! Toca ir a pé até o Parque Dom Pedro II, rezando para que o último ônibus não tenha saído.
Passava pelos piores lugares de Sampa, isso lá pela meia-noite! Mas tenho saudade de tudo isso. Hoje voltei a morar em Socorro e, sempre que posso, volto a São Paulo para matar a saudade!
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