Morava na Rua Alan Kardec, número 55, ao lado do Colégio Santa Therezinha do Menino Jesus. Cedo, quando minha mãe mandava comprar pão e leite, eu ia à padaria Turin (Aviação) cujos donos eram os senhores Carlos e Moraes. Ficava esperando a chegada do caminhão que entregava o gelo, admirado com a pratica dos entregadores, os pacotes de gelo deslizavam pela calçada e paravam na porta da padaria, certinhos.
Em seguida, quase simultaneamente, vinha o bonde Canindé (49) descendo a Rua Juruá ou subindo, vindo da Rua Padre Vieira. Quando chegava neste cruzamento eu ficava deslumbrado com sobe e desce de passageiros, uns pegavam o bonde pulando no estribo, outros desciam com maestria.
Ao longe, olhando pela Rua das Olarias, avistava o trenzinho da Cantareira cruzando a ponte do Rio Peixe ali na Ponte Pequena.
Quem ler esta historia vai lembrar-se da sapataria do senhor Gouveia, do bar do Zezinho, da Lenharia… Descendo a Rua Padre Vieira ainda hoje podemos avistar o campo do “Estrela do Pari”, onde se encontravam os maiores clubes da várzea de São Paulo, grandes festivais. Sem esquecer o empório do “Cesar Louco”, a barbearia do Nil, o bazar Lopes que vendia equipamentos para a pesca nas lagoas em volta da Portuguesa de Desportos.
Termino esta historia comovido e desejando que todos que possam lê-la tenham também saudades da infância que tiveram.
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