Saudades, bichinha danada!

Há dezenas de anos, ouço a letra da canção de Luiz Vieira que inicia com a expressão título desta minha dissertação. Hoje, porém, lembrei-me dela sentindo o seu verdadeiro valor.

Estava eu assistindo um reality show apresentado por uma emissora de televisão, quando foi mostrado que a uma dupla vencedora de uma tarefa foi dado como prêmio surpresa um passeio de helicóptero sobre a nossa querida e amada cidade de São Paulo.

As duas pessoas mostraram-se emocionadas ao verem ao longe a grandeza desta cidade que é maior do que muitos países, não só em território como em população.

Foi nesse instante que eu, somente assistente do programa, também senti no peito um aperto muito grande causado pela saudade que naquele instante eu senti de você, São Paulo, querida.

Eu moro, eu vivo em você, minha amada, mas tenho muitas saudades de participar de você, pois estou limitado pelo meu estado físico, mas não pela minha mente e sentimento.

Lembro de você pequena, singela, segura, linda em seus detalhes de construções, decorações e conservada pelos seus moradores com capricho e amor, sem a participação de vândalos para macular sua memória.

Como eu lhe amo, meu amor, desde você menininha adolescente, das ruas sem asfalto ou calçamento e daquelas avenidas gigantes inexistentes, sistema metroviário nem era pensado, recordo-me dos bondes, dos cinemas com seus guardas civis trajados com suas fardas azul-marinho, muito limpas e passadas, a rigor, trespassada por um cordão dourado e luvas brancas calçadas nas mãos, para recepcionar os frequentadores que vestiam ternos e gravatas e as damas de vestido ou saia e blusa discretas, e dos filmes famosos assistidos.

Sapatos de cromo alemão eram engraxados e polidos quase que diariamente para mostrar às damas o zelo e o esmero do jovem ou do homem que se lhe apresentava.

Restaurantes finos permaneciam em funcionamento por toda à noite, frequentado por pessoas educadas e fino trato, após a saída dos cinemas, festas ou dos salões de bailes.

Os monumentos, os jardins, os marcos históricos e todos os prédios públicos os privados não necessitavam serem cercados para não serem desrespeitados.

Os viciados, quando encontrados, eram só alguns alcoólatras dormindo nos bancos de alguma praça ou jardim, ou os fumantes.

Era muito importante para os homens, desde adolescência, ter um emprego decente, sólido e longa duração, para que ele sustentasse às suas necessidades e da sua família durante a sua existência, se possível.

Os transportes coletivos (bondes, ônibus, trens, táxis, etc.), eram preservados como se fossem nossos, pois todos sabiam da sua importância para nos servir naquele instante que estávamos no seu interior, assim como os momentos futuros. Nunca eu soube da destruição de algum desses bens em sinal do que esses seres protegidos pelos "direitos humanos" chamam de protesto.

Como você é amada, minha São Paulo. Como eu gostaria de voltar a andar para aliviar a saudade que tenho de você, relembrar fatos, lugares e talvez pessoas com as quais eu vivi em você, querida metrópole.

Bichinha danada é a saudade de você, minha cidade amada, que eu carrego no coração, mas que está longe dos olhos mesmo eu vivendo aqui.

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