São Paulo sempre encanta

São Paulo sempre encanta. Quando chego a São Paulo, perto do natal, a entrada da cidade, para quem vem do sul, começa pela Av. Francisco Morato, nome de um professor, um dos mentores da Revolução Constitucionalista de 32, luta essa declarada contra o novo poder de Getúlio Vargas, contra o fim da velha República do café-com-leite.
E nesse pedaço da cidade, a história invariavelmente vai se definindo pelos nomes das ruas, as Ruas Miragaia, Martins, Drausio, Camargo, a praça MMDC, logo mais a USP, de tantas histórias, de tantas lutas contra todas as formas de opressão.
Conheci um ateliê recentemente na Vila Sônia. Quadros belíssimos, cerâmicas muito bem trabalhadas, por um sujeito que, durante 30 anos, teve o seu espaço garantido em Embu das Artes. O ateliê ficava numa rua tranqüila, sem o barulho dos ônibus, com os quadros expostos com muita simplicidade. Como é bom parar e ter um tempo para conversar, trocar idéias e saber que a cerâmica assimila muito bem a tinta a óleo, dessas que a gente aplica diretamente nas telas.
As feiras da Vila Sônia são magníficas, me lembram aquelas dos anos 60 no Cambuci, com as barracas com roupas, sapatos, o japonês vendendo pastel, bancas apenas com bananas, as magas maravilhosas, esperando pelas festas de final de ano. Na rua da feira de sexta-feira, bem pertinho da Francisco Morato, tem ainda a casa do sr. Yamamoto, um excelente acupunturista que me salvou de dores horríveis nas costas, lá pelos meus 20 anos. Por conta do sr. Yamamoto me interessei pela Medicina Tradicional Chinesa e hoje sou acupunturista também, inclusive professora dessa milenar arte, filosofia e ciência. Sou grata a São Paulo por todas essas coisas, por ter me acolhido desde sempre, por todas as cores e dores de alma, que me ensinaram a ser forte, a buscar mil formas de sobrevivência, a valorizar o saber, a beleza e a ter um imenso amor pela memória, um profundo respeito ao passado. Tenho São Paulo inteira como o maior espaço cultural possível, para todas as horas, todas as possibilidades, adversidades… E felicidades.

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