Descrever o Centro de São Paulo (Cinelândia Paulista) por meio de histórias vividas pelas pessoas seria uma maneira de conhecer São Paulo na década de 60 até 70, pois tudo girava em torno da área central, muitos bairros não eram ainda desenvolvidos em termos de comércio, diversão, cinema etc., e também não existiam ainda os shoppings.
Mas vou tentar contar alguns fatos que muitos aqui presenciaram ou vivenciaram no Centro de São Paulo.
Quem não comprou um ou mais livros por $1 (não lembro qual era a moeda) na livraria que criou ou inventou o slogan "qualquer livro por 1" , na esquina da Rua Barão de Itapetininga com Rua Dom José de Barros. Esta promoção foi um sucesso na época, foram vendidos mais de cem mil livros, que além de fomentar a cultura entre os milhares de pedestres das ruas onde ficava a livraria, ajudou a desovar muitos livros encalhados nas principais editoras do Brasil.
Quem não acompanhou o desfile das escolas de samba, que começava a noite no Anhangabaú, subia a Av. São João e acabava na esquina da Av. Ipiranga, terminando sempre de manhã do dia seguinte.
Quem lembra ou esteve no meio da multidão em frente ao cinema Art-Palácio, que até fechou parcialmente a Av. São João, na estréia (1962) do filme "Os Cafajestes" com o primeiro nu frontal no cinema com Norma Bengell.
Acredito que todos os leitores aqui pelo menos uma vez na vida, saborearam o famoso bauru no Ponto Chic do Largo do Paissandu, mas quem frequentava aos sábados, podia encontrar cantores da noite, jogadores de futebol, os reis da sinuca(Carne Frita e Rui Chapéu) e muitos outros.
O melhor era reunir a turma e fazer um tour no sábado à noite, pelas boates na boca do lixo, Rua Nestor Pestana, Rua Augusta, Av. Ipiranga, Rua da Consolação, Rua Major Sertório, etc. para ver as mulheres da noite, ouvir os cantores de boate, etc.
Quem se lembra do Cel. Fontenelle que no ano de 1967 revolucionou o trânsito em São Paulo, fechando cruzamento com caminhões, mudando a direção de várias ruas… Eu lembro que o transito ficou mais caótico, porque muitas pessoas resolveram ir de carro para o Centro, somente para ver o circo armado e salvo engano esta loucura durou menos de 60 dias.
Mas São Paulo não era só o Centro, existiam outras atividades, assim como:
Quem nunca foi tomar um café no Aeroporto de Congonhas na madrugada de sábado para domingo, depois da festa.
Ou a famosa sopa de cebola no Ceasa (acho que ainda existe…).
Quem nunca foi assistir os rachas na Av. Nove de Julho em frente à lanchonete Deck, geralmente aos sábados à noite.
Ou a menos famosa Av. Sumaré, onde os rachas eram com carros mais populares, mas envenenados.
Subir e descer a Rua Augusta entre a Av. Paulista e a Av. 9 de Julho, no sábado para paquerar as garotas que estavam no outro carro.
Para quem tem menos de 40 anos, deve julgar que esta é uma obra de ficção, fruto da minha imaginação… Mas não é, esta São Paulo existiu e continua na memória de muitos paulistanos que muito lamentam como a nossa Cinelândia tenha se degradado, tanto ao ponto de desestimular qualquer passeio ao Centro de São Paulo.
E-mail: [email protected]