São Paulo da minha infância: das lembranças de criança que o tempo não apagou, das reuniões de verão, mães sentadas no portão e todas as crianças vizinhas brincando de roda pião, pega-pega e amarelinha.
São Paulo do cotidiano: crianças indo à escola, colocavam o pé na estrada decorando a tabuada, as vizinhas tão amigas, italianas, portuguesas, brasileiras e espanholas nas festas cantando fados e dançando marchinha e até samba.
Os homens iam para o trabalho levando marmitas em sacolas, tinha o bonde cara dura, só se pagava um tostão aos meninos que trabalhavam em armazéns, quitandas, padarias. Já as meninas bordavam e ajudavam a mãe na cozinha até a hora da escola.
São Paulo dos pés de fruta nas ruas… Ai que saudades que tenho do verde primaveril, dos cantos dos pássaros, dos hinos da minha escola que se cantava!
São Paulo, coração brasileiro, de tantas histórias guardadas, de tantos bairros somados, do meu querido Ipiranga, braços abertos à imigração, trabalhos vantajosos até os mal remunerados… Tantos diplomas rubricados, todos os amigos e irmãos, desde o menino da favela ate aqueles da mansão…
São Paulo minha história, meu berço entre conservadores e modernistas dos lampiões, a luz de mercúrio da cartola e bengala, da camiseta e calça jeans.
No meio da cidade de pedra, do poeta, cria artistas!
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