Hoje, com os filhos adultos, casados e com três netos fico a relembrar a minha infância, adolescência e juventude.
Ah! Quantas recordações vêm à minha mente! Morava e moro ainda no bairro de Santo Amaro, que, naquela época, era como uma cidadezinha do interior, todo mundo se conhecia.
Aos domingos, ao anoitecer, íamos com nossos pais à pracinha, mais conhecida como "jardim", localizada à Praça Floriano Peixoto com a Rua Capitão Tiago Luz.
Lá, no meio da praça, havia um coreto, onde a banda tocava muitas músicas e, enquanto nossos pais ficavam sentados nos bancos, brincávamos de "pega-pega", "esconde-esconde", sem a preocupação de hoje (assaltos, sequestros, etc).
Entre tantas lembranças, as que mais me marcaram foram as brincadeiras de rua, como "bate lata", " mãe da rua", "pique", "pula corda", etc.
No quintal de nossa casa havia uma ameixeira, onde meu pai fez um balanço de corda com assento de madeira e lá também nos divertíamos muito.
São Paulo, nessa época, era uma cidade tranquila. Para irmos ao centro, onde minha mãe fazia compras (roupas, sapatos, etc.), havia a linha de ônibus, a "79", que ia de Santo Amaro até o Anhangabaú. Tenho muitas lembranças também desses passeios, pois, após as compras, íamos lanchar na "Leiteria Campo Belo", na Rua São Bento. Era muito gostoso!
Lembro-me ainda da minha adolescência e juventude, quando, na Rua Direita, como era conhecida, rolavam as "paqueras". As moças passeavam na rua e os rapazes ficavam observando-as da calçada. Rolavam aí muitos olhares, piscadas e namoricos. Isso era uma rotina em Santo Amaro nos domingos à noite.
Mas, voltando à atualidade, vejo muita diferença da minha época com a de hoje. Os jovens não cultivam mais aquele romantismo de outrora.
Recordo-me dos bailes de formatura, onde era muito bom ser convidada por um rapaz para dançar ao som de Ray Coniff, Glenn Miller e outros que já não me lembro.
São Paulo antiga, quanta saudade! Meu bairro, Santo Amaro antigo, quantas lembranças!
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