Santo Amaro e suas antigas fábricas

Certa feita, há algum tempo passado, resolvi terminar uma Sexta-feira, em um daqueles jantares no romântico Restaurante Interlagos. Jantar daqueles difíceis de esquecer! Aquele local era muito aconchegante. Sobre o prato que me serviram, deitaram uma enorme, maravilhosa e deliciosa Lagosta. Tal crustáceo, somado às demais delícias da casa, e regado com cerveja e caipirinha, era tudo que o encerramento de uma cansativa semana exigia. Pois bem, comi muito e logo depois, ensonado, fui pra casa dormir. É claro, não podia ter conseqüência diversa. À noite tive um enorme pesadelo. Sonhei que tinha perdido o emprego de muito tempo no Cortume Dias, uma das pioneiras atividades industriais de Santo Amaro. Ficava na Avenida João Dias, logo após a ponte do mesmo nome, do lado direito de quem vai para Itapecerica da Serra. Desesperado, então, comecei uma homérica odisséia em busca de um trabalho. Na empresa Plásticos Dias, que depois passou a ser a fábrica de esparadrapo York, sediada entre as ruas Amaro André, Barão do Rio Branco e Tenente Cel. Carlos da Silva Araújo, não adiantava ir, porque era dos mesmos que me demitiram. Fui então à Industria do Sr. Juvenal Sayão que ficava na Rua Amador Bueno, próximo de onde hoje fica o Poupa Tempo Santo Amaro, que aliás funciona muito bem. Não consegui emprego. Fui então até o fim da Rua Barão do Rio Branco e cheguei no Laboratório Squibb. Lá havia uma placa dizendo: "Não estamos admitindo". Saí de lá e fui até a Rua Isabel Schimdt bater às portas do Frigor Eder onde também não me empregaram, segui então pela mesma rua Isabel Schimdt e passei na Fábrica de Relógios Hora, ali próximo do cemitério, como também nada consegui, fui em frente pela mesma rua, que ao mudar de nome para rua Carlos Gomes, sediava a Cia. Nacional de Veludos Velnac, indústria não menos tradicional de Santo Amaro que era de dois imigrantes italianos chamados Sr. Leoni e Sr. Caneppa. Eu, já preocupado, tentei de todas as formas um emprego e não consegui. Falei com o Amilar, gerente, com o Rui do departamento de vendas, com o Virgílio e o Seu Alberto mestres em tecelagem e nada. Inconformado, mas persistente, segui em frente e chequei na Textil Gabriel Calfat, cuja casa ocupada por um de seus diretores, um tal de Sr. Bolzan, havia abrigado o antigo Cassino Vila Sofia de outros tempos. Já sem esperança de arrumar emprego, naquele maluco pesadelo, me lembrei que ainda havia aquele tradicional Laboratório Farmacêutico, que nos anos cinqüenta empregara as mais lindas e honradas operárias santamarenses, a Laborterápica, na rua João Alfredo. Aguardei a saída das referidas moças, às 14h, juntamente com vários outros amigos santamarenses que costumeiramente para lá se dirigiam com o propósito de ver as beldades deixarem o expediente diário. Incrível, também lá não consegui o procurado emprego e acabei, naquele sonho maluco, terminando o ano, vestido de PAPAI NOEL, batendo o sininho em frente as Lojas Barroso. Quando acordei, percebi, graças a Deus, que tudo não passou de um terrível pesadelo, mas que serviu para lembrar onde se localizou um dia, a força de trabalho em Santo Amaro.

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