Santa inocência

Tatuapé, ano de 1953, padres redentoristas de Aparecida vieram nas igrejas da zona leste de São Paulo para as missões naquele ano.

Ficavam de dois em dois na igreja Cristo Rei na NS do Bom Parto e na capela de NS. Conceição. Na capela de NS. Conceição, na Praça Silvio Romero, os trabalhos ficaram a cargo de dois missionários, o líder padre Andre e um mais novo, recém-saído do seminário, o padre Lima.

Havia a conferência para os moços, para as moças, para os casais, para as crianças e, em seguida, missas especiais para cada grupo.

Na época, quase fui para o seminário induzido pelo padre Lima, que bem mais tarde fiquei sabendo que deixou a batina para se casar, mas meu pai não deixou, alegando que eu não tinha vocação… E como sabia das coisas o meu velho!

No domingo era a missa das crianças, bem cedo, porque tínhamos que ficar em jejum para comungar. E depois da missa nos ofereciam um vasto café com bolo e biscoitos. Mas no sábado anterior à noite tínhamos que confessar para a comunhão…

Na manhã seguinte, assim que cada um saía da igreja após a obrigação, a rapaziada ia ficando na praça em frente à igreja, e eis que dois garotos passaram a discutir. A discussão aumentou até que um disse para o outro:
-Só não te dou uma bordoada porque já confessei, mas amanhã, depois da missa ,te pego de jeito!

Tempos de inocência e medo do inferno, mas nem tanto.

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