A coisa mais encantadora do Salada Paulista, além, é claro, da excelência da comida – o Salada foi um pioneiro do fast-food na Paulicéia – era a forma como os atendentes contabilizavam o consumo dos clientes. Para ilustrar melhor, lembro que o ambiente era um galpão comprido com um grande pé direito. No centro havia um grande e alto balcão em forma de "U" – não havia bancos, comia-se em pé –, que ia da entrada até os fundos do restaurante. Dentro desse "U" havia um exército de atendentes, chapeiros, cozinheiros, realizando todo o preparo dos famosos sanduíches, saladas e croquetes, à vista da clientela. Conforme o freguês consumia, o atendente anotava a lápis no mármore do balcão, o valor do item pedido. Terminada a refeição, ele realizava a soma ali mesmo, na pedra e, em seguida apagava a conta esfregando um paninho úmido. Aí então, o desfecho de ouro: terminada a transação, pagamento e o respectivo troco, você deixava uma gorjeta e o funcionário que a recebia gritava a todo pulmão – o lugar era obviamente barulhento –: CAIXINHAAAAA! Ao que todos os demais integrantes do "exército" respondiam em coro vigoroso: OBRIGADOOOO!
Saudade do Salada! Suas imensas paredes de ladrilhos com grandes reproduções de Rugendas ou Debret ou ambos e o olhar vigilante do velho casal de proprietários, retratados em grande escala, também nos ladrilhos, na parede de fundo, lá no alto, como que fiscalizando a qualidade dos serviços e conferindo se todos os seus soldados responderiam OBRIGADOOOO!