Sala de espera da quimioterapia

Nasci e cresci na Rua Albuquerque Lins, perto da Praça Marechal Deodoro. Essa praça costumava ser um local de passeio – tenho fotos tiradas nos canteiros de roseiras! Agora foram espremidas embaixo do "minhocão", destruída pelo trânsito enlouquecedor e dela talvez ninguém se lembre mais como nos velhos tempos.

Fiquei saudosista porque depois de 40 anos morando do outro lado da cidade – no bairro do Brooklin – agora uma vez por semana atravesso toda a cidade para frequentar uma sala de espera do setor de quimioterapia de um dos hospitais mais antigos de São Paulo – o Santa Cecília.<br><br>Gostaria de ter voltado ao meu velho bairro em outras circunstâncias, mas ficar esperando o tratamento de meu marido me fez observar tudo com mais atenção e cuidado, com os olhos despidos de qualquer preconceito.<br><br>O que se aprende em poucas horas na sala de espera da quimioterapia não se aprende durante uma vida quase inteira. Só quem já frequentou tal espaço sabe disso.<br><br>A realidade de quem precisa desse tratamento é dura, sofrida. O prazo para a busca da cura é impossível de ser fixado, depende de cada paciente. Para uns é muito longo e doloroso, para outros mais rápido e suportável. Mas, é sempre difícil porque se o físico está mal, o psicológico está pior ainda.<br><br>Quando chega o horário, os pacientes entram e os "cuidadores" ficam na sala de espera. É de se salientar que alguns doentes comparecem sozinhos, sem acompanhantes e quando chegam, logo puxam prosa, ansiosos por uma conversa que os anime, lhes dê um pouco de conforto.<br><br>Na quimioterapia se vê de tudo: pessoas idosas, de meia idade, jovens e – o pior de tudo – crianças mais crescidas, pequenas e até mesmo bebês. Quando se olha para o lado, sempre se vê alguém em piores condições do que o seu ente querido que está se tratando. Mas, isso não serve – de forma alguma – de consolo. Ao contrário, é motivo de tristeza.<br><br>Enquanto esperam a saída dos pacientes, os acompanhantes acabam fazendo amizade, já que se encontram semanal ou mensalmente e são sempre os mesmos.<br><br>Isso só nos faz lembrar uma coisa: somos todos iguais. Na hora da doença – seja ela grave ou não – não existem diferenças de cor, de credo, sociais e outras tantas. Estamos todos sujeitos durante o tratamento aos conhecimentos dos médicos, à paciência dos enfermeiros. Estamos literalmente nas mãos de Deus, impotentes quanto ao resultado de tudo o que está sendo feito.<br><br>Nessa mesma sala onde se lê, faz tricô, trocam receitas, cochila um pouquinho também se ouvem críticas ou elogios ao convênio médico – que, no caso, damos graças a Deus de ter.<br><br>No meu caso, o convênio que muitos criticam, tem sido muito bom e incansável no atendimento ao meu parente que está sendo tratado com competência, amor e atenção. Diga-se que não é dos convênios mais famosos, tem seus defeitos, mas nesta fase difícil de nossas vidas tem sido excelente!<br><br>Assim, na sala de espera da quimioterapia, recebemos mais uma lição de vida: o que é necessário em nossas vidas é o amor e a humildade de reconhecer que todos somos irmãos – de uma forma ou de outra – e que não é preciso esperar uma doença ou outro evento para acreditar realmente nisso e começar a agir de forma diferente, porque nunca é tarde para mudar, para recomeçar. Deus nos dá sempre mais uma oportunidade!<br><br><br>E-mail: [email protected]