Rua Ruy Barbosa e seus ilustres moradores

Na esquina da Rua Manuel Dutra havia uma loja de armarinhos, o proprietário chamava-se Alberto. Lá ele vendia zíperes, linhas, lã de tricô, agulhas, cortes de fazendas, enfim tudo que as mulheres procuravam. Um pouco mais acima no lado esquerdo tinha uma fabrica de canivetes e quem trabalhava neste local era Zé /Preto.

Continuando no mesmo lado, funcionou a Venda da família Pidones, que vendia tudo de secos e molhados. Ao lado funciona uma Tinturaria de Japoneses. Quem trabalhava como passador de roupas era o "ZÉ" que só usava sapatos brancos, e quando ele enchia o saco de todo o mundo a sra. sua mãe, uma negra bem forte, batia nele de cinta no meio da rua e depois colocava-o para dentro de casa.

Bem em frente do outro lado da rua morava o Vicentinho (Candidatou-se por diversas vezes para vereador e deputado e nunca ganhou, sempre andava de Lambreta). Os filhos eram o Tinin, Wilson, a mãe que não recordamos o seu nome. Bem ao lado existia a Vila São José onde moravam várias famílias, logo na entrada morava “Chiquinho”/Colela, que quando bebia enchia o saco de todo mundo, principalmente quando o Palestra ganhava. Ele era fanático demais, a sua esposa era muito bondosa ela costurava em casa.

Subindo um pouco mais, morava a gerente da Vila a italiana Dna. Sofia, seu marido Giuseppe, o seu irmão que era solteiro Rafaelle, e os seus três filhos. Ao lado se sua casa morava o Sr.Raul que trabalhava em banco, e nas horas de folgas trabalhava como taxista. Um verdadeiro boêmio, não podia ver um rabo de saia que já ia para cima, sua esposa era outra heroína, chamava-se Maria. Lá morava também o Sr.Lourenço, que por muitos anos foi taxista, e depois de aposentar-se foi trabalhar com Perua Escolar, sua mulher chamava-se Dna. Nena, e o seu filho Rubão.

Bem no fundo da vila morava o Gilmar, este era outro que tomava cada esbórnia, mas muito trabalhador, era lustrador de móveis. O Vizinho português-angolano, 'Vasco' que também tinha táxi, Guiomar, sua esposa, e os seus filhos, Neide, Walter e Sidney. Que tinha como vizinhos o casal 20, Samuel e Maria, não tiveram filhos. E finalmente morava a minha namorada na época, hoje minha esposa Neide junto com os seus pais o Chico/ “Capial” que depois de tomar todas, comia cacos de vidros, pregos e etc. A minha sogra foi outra heroína por aguentar o meu sogro por mais de 40 anos. Tinha também o meu cunhado o Roberto/ “Gordo”.

Lembro-me da turma que morava na parte de trás da vila, que eram eles, a Virginia, o Ganso, o Toninho/ “Negrão”, o Wellington, a Sebastiana e por último morava a Iracema, que quando tomava todas tirava a roupa e ficava pelada na rua. Já subindo a rua no lado direito existia um cortiço onde morava 'Babá' quem administrava o local. Em baixo no mesmo cortiço tinha um porão e quem trabalhava como alfaiate era o 'Pepuccio'. Ao lado do Teatro Sérgio Cardoso em uma entrada que tinha uma casa, morava a 'Bacalá. Seu pai o Sr.'Bicudo' vendia batatas na rua com carrinho de empurrar e suas irmãs Soraya, Tereza, Zezé e Dirce.

Ao lado em outra casa morava Renato/Cabeleira, o seu irmão Dante, e os pais. Logo a diante moravam o Alfredo (tinha fábrica de Regadores de Água) e nos fundos era sua casa, sua esposa chama-se Ermelinda com os seus 90 anos, é viva até hoje e seus filhos Victor (Juca Chaves) Solange (Sula) Amaury (Doca). Ao lado morava Vadão (Pêssego), que trabalhou por muitos anos na fábrica de Linhas Correntes.

E finalmente a pessoa mais ilustre da Rua Ruy Barbosa, chamada Antonieta/ Longa. Ela usava sempre o mesmo vestido preto, que brilhava de tanta sujeira, passava o dia inteiro na janela, era viciada no jogo do bicho, sabia da vida de todos, era uma verdadeira Conchettona.

E por fim o Salão de Barbeiro do Orlando/Zacarias que era o rei dos calos, seus sapatos eram cortados nas pontas, para que pudessem calçá-los. Andava igualzinho o famoso personagem Charles Chaplin, o salão era o nosso ponto de encontro aos sábados pela manhã, ele tinha um rádio tipo Capela, ainda de válvulas. E para verem ele nervoso, mudavam de estação e aumentavam o volume, com isso ele mandava todo mundo ir embora do seu salão. Quando acabava de fazer a barba de algum cliente, ele passava loção e ficava alisando o rosto do freguês, tinha cara que ficava invocado com aquilo.

E por fim na esquina da Ruy Barbosa, com a Cons. Carrão funcionou por muitos anos o bar dos “PETISCOS” dos irmãos Neno e Helio, o copeiro era o 'Goiaba' e o “sanduicheiro” era o Orestes que fazia cada sanduíche de dar água na boca.

Neste primeiro momento contamos um pouco das Histórias da Ruy Barbosa, e posterior vamos contar mais. Então até o próximo Cine Rex.

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