Vivi no Bosque da Saúde toda minha infância, principalmente na Rua Itaucama, uma ruazinha que na época nem tinha saída. Começava ao lado da escola Princesa Isabel e terminava no meio do mato.
Inesquecíveis personagens daquela rua, amigos e conviventes como os filhos da Dona Elza, Carlito e Eduardo. O Baby, filho da Dona Alcinda já falecido, O Pardal que soube que já se foi também. Os feirantes, Senhor Antonio, Dona Maria e os filhos José Luis e Toninho. O Senhor Akira (ou Senhor Antonio) tintureiro e seus filhos, também grandes amigos e muitos outros.
Saudade do campinho de futebol, cujo acesso era por sobre um córrego (esgoto a céu aberto) que era carinhosamente chamado de "fossa" e que apesar de tudo, não nos importava.
O que importava era a liberdade, rodar pneu na rua de terra, empinar pipas, que na época e no local chamávamos de quadrados, capuchetas de jornal, maranhão, o bendito (ou maldito) cerol que me cortava a mão, mas era nossa defesa contra os cortadores de linha das nossas pipas.
Na minha infância não existia ainda a Avenida Ricardo Jafet, e era tudo mato, com o riacho Ipiranga passando ao lado do campinho.
As festas de São João, as quermesses das igrejas e escolas do bairro. O bonde que cheguei a utilizar para ir à igreja das almas na liberdade, com minha avó. Lembro que, em relação ao bonde, a Praça da Árvore era a Primeira Secção e na Rua Jussara, o ponto final.
Como outros que já escreveram neste site, também lembro do Tico farmacêutico, o bar do Hélio, o Mauro barbeiro que cortava meu cabelo e de alguns amigos ao gosto dos nossos pais. Não adiantava falar como queríamos o corte, era: “Já sei como seu pai quer", o que nos irritava às vezes.
Naquele salão de barbeiro, na curva do Colégio Conde, me lembro que sempre ouvia no rádio o programa do Francisco Petrônio e aquela música famosa "O Trovador", na voz do Altemar Dutra e isso me ficou na lembrança.
Francisco Petronio, Altemar Dutra, puxa vida, como estou velho!
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