Rua Doutor Guilherme, Brás

Morei durante muitos anos nesta rua do bairro do Brás, onde inclusive passei a minha infância. As coisas naquela época eram muito diferentes dos dias atuais, não tínhamos hiper-mercados, computadores, TV à cores, a grande maioria não possuía automóvel, e nem TV preto e branco, o rádio estava no auge com suas novelas na rádio São Paulo.

Passava as tardes no período de férias escolares, andando de carrinho de rolimã, ou então empinando pipa, o desafio era quem conseguisse mandar mais linha e fazer a pipa quase sumir em direção ao céu.

Quando ganhei do meu pai a minha primeira bicicleta de duas rodas, era enorme aro 26, a alegria que senti era imensa. Aí sim passei a pedalar indo até lugares distantes, descobrindo novos horizontes.

Nas noites quentes de verão ficávamos até tarde brincando na rua, era esconde-esconde, mãe da rua, queimada, esta última sempre provocava algum estrago, a bolinha insistia em queimar a vidraça de alguma casa.

Próximo da minha casa existia a leiteria, a quitanda, o armazém e a padaria Cinco de outubro, com seus deliciosos pães e bolos.

Nesta época pouquíssimos carros trafegavam pelas ruas, dando-nos bastante espaço e liberdade.

Eu tenho minhas dúvidas a respeito de a vida hoje em dia ser melhor ou pior que naqueles tempos, hoje dizem que temos mais anos de vida, entretanto, vivíamos menos, com maior inocência, liberdade, e intensidade.

A primeira vez que andei de bonde, foi indo para a casa da minha avó que morava na Vila Clementino, a linha era de número 47 da CMTC, saía da Rua Asdrubal do Nascimento, subia a Brigadeiro Luiz Antonio e assim ia, no seu percurso até chegar ao seu destino.

São tempos idos e que jamais voltarão, mas fazem parte da minha bagagem, e estão muito bem guardados na minha memória, e às vezes bate saudade, pois o melhor tempo de nossas vidas é o da infância vivida com muitos amigos, muitas brincadeiras e diversão.

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