Como todos interligados à grande rede, venho recebendo um número absurdo de emails tentando me convencer a votar neste ou naquele candidato. É alarmante como política e religião se confundem. EU NÃO QUERO SER CONVENCIDO.
Tenho minhas convicções e elas me bastam.
São Paulo merece ter o melhor representante sempre, claro, mas onde está ele? Não sei! Creio que ninguem sabe.
Vo votar sim; vou votar da forma mais consciente que me for possível, mas não quero que ninguém me pegunte em quem. Isso é problema meu.
Lembro que meu pai jamais declarava seu voto. Criança, não entendia bem porque, hoje sei. Não era por respeito a legislação ou coisas assim, mas para não criar inimizades. Política, religião e futebol se equivalem. É fanatismo absurdo e nada mais.
Em 1982, meu pai ficou internado no Hospital Santa Rita, na Rua Cubatão. Doente, não sabia se poderia votar ou não (estávamos nos aproximando do dia 15 de novembro)e ele, que jamais deixara de votar estava triste.
O médico que o assistia era correligionário firme de um determinado partido e tentava convencer meu pai de que ele sairia logo e, saindo, deveria votar no partido que ele indicava. Meu pai nada dizia, apenas aguardava.
Saiu do Hospital antes da data aprazada. Foi à sua zona eleitoral e votou (como quem cumpre uma promessa?); até hoje não sei em quem, mas,pelo sorriso maroto dele, no candidato do médico sei que não foi. Que ele era misterioso, isso era. Mas era meu pai e eu o conhecia bem.