Trabalhei por 15 anos nessa rua em uma empresa do ramo de laboratórios. Comecei como operadora contábil, e fui chamada, com o tempo, de CORINGA. Se alguém faltasse ou tirasse licença, lá estava eu cobrindo a falta. Foi um tempo muito bom em que fiz grandes amigos. Inclusive uma delas virá me visitar amanhã, não a vejo há mais ou menos 20 anos. Estou ansiosa pela visita!
Nessa empresa era praxe comemorarmos o Natal com grandes festividades e confraternização. Havia até concurso de Miss e Mister. Vou deixar de ser modesta e contar que fui eleita algumas vezes… era um barato, com direito a faixa e tudo mais.
Bom, mas não era isso que ia contar. Num final de ano resolvemos fazer um teatro. Eu escrevi a peça; seria uma sátira dos funcionários. Enfocamos aquelas figuras que sempre se destacam mais: gerentes, vendedores, secretária, telefonista, office-boy etc e tal.
Nunca havia interpretado nadica de nada. Mas ensaiamos direitinho por muito tempo, depois do expediente. Chegou o dia, tudo pronto e o nervoso foi tomando conta de todos. Será que vai dar certo? Não esqueceremos o texto? Não faltou nada no cenário? A máquina de escrever está lá? O dono da firma viu o que estava acontecendo e convidou todos para irem à copa. Todos reunidos ele ofereceu um pouco de uísque para nós: – É pra relaxar, vocês estão precisando…
Isso era pela manhã, e eu não havia comido nada…. imaginem vocês o quanto essa bebida fez efeito… pois é!
Só sei que entrei em cena totalmente "zen"…. zen vergonha, zen equilíbrio, zen ver nada….
No final das contas tudo deu certo e rí um bocado da experiência.
Ah! e fomos muito aplaudidos…. e convidados para o ano seguinte.