Tinha uma revista que, lá pelos anos 50 e 60, editada pelo Grupo dos Diários Associados (que tinha sede na Rua Sete de Abril), fazia muito sucesso entre os leitores. Era uma revista que trazia reportagens de todos os acontecimentos que se passavam na capital da República, mais precisamente na cidade do Rio de Janeiro (Brasília ainda não tinha sido inaugurada), e também no resto do Brasil e com correspondentes internacionais.
A Revista O Cruzeiro era muito lida na cidade de São Paulo, assim como em todo o Brasil, e principalmente o Amigo da Onça.
Eu gostava muito de ler o Amigo da Onça, que ficava no meio da revista. Logo que a comprava ia direto para esse quadro, que foi criado pelo cartunista pernambucano Péricles de Andrade Maranhão e foi publicado pela primeira vez no ano de 1943, até o ano de 1962. Durante este período fez muito sucesso.
Era representado por um baixinho, cabelo penteado para trás a base de gumex (brilhantina), vestia-se com Summer Jackie, sapato bico fino, bigodinho safado e olhar de peixe morto. Fazia críticas e tinha umas tiradas maravilhosas; eu dava muitas risadas com suas pegadinhas.
O cartunista Péricles morreu de forma trágica no dia 31 de dezembro do ano de 1961, em seu apartamento na cidade do Rio de Janeiro. Reclamando da solidão, fechou todas as portas e ligou o gás, deixando um bilhete na porta com o aviso: "não risque fósforos".
Não posso esquecer dessa revista, com suas reportagens, e do Amigo da Onça, que fazia parte semanalmente da minha leitura. Lembro com muitas saudades desse cartunista, com seus desenhos e suas pegadinhas espetaculares.
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