Réveillon na Avenida Paulista

Em Samoa não há o dia 30 de dezembro. Isto importa muito pouco, mas deixa claro que o tempo inexiste da forma que o mensuramos, é apenas um eterno passar e comemoramos sua passagem como se não fosse a nossa. Estranho isso…

No exato instante em que escrevo este texto, no coração da maior cidade da América Latina, na calçada, em um bar da Avenida Paulista, sinto o frenesi das ruas. Pessoas ciscam no entorno de minha mesa, passam por mim, cumprimentam (um leve cumprimentar que faz tão bem) e vão. Seguem seu destino, felizes, porque a grande noite se aproxima. O réveillon, a mudança, a troca, o vira. Seguem felizes, talvez conheçam a história de Sólon e o rei da Lídia; talvez não.

O importante é que aí vem outro ano no qual espero estaremos ainda todos aqui pra beber e beber cada vez mais apressando o fim. Trágico! Sócrates sabia disso, mas era incontrolável.

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