Eram quatro horas da manhã de 04 de julho de 1984. Acordei no distrito de Barão Geraldo que pertence ao município de Campinas. Depois da chuveirada rápida, olhei no termômetro que registrava cinco graus. Aprontei um café da manhã "quebra-galho" e me apressei em carregar o carro com os materiais para apresentação no congresso.
Foi uma noite mal dormida com a excitação de voltar à cidade natal e, além disso, de participar de minha primeira reunião científica nacional, a 36ª Reunião anual da SBPC ou Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que foi realizada de 04 a 11 de julho na USP. Na época a SBPC era presidida pelo biólogo Crodowaldo Pavan que faleceu em 03 de abril de 2009.
A vice-presidência ficava com o geógrafo Aziz Ab'Saber e a psicóloga Carolina Bori que deixou São Paulo mais pobre intelectualmente em 04 de outubro de 2004. Esta sociedade teve como primeiro presidente de 1949 a 1951, o advogado Jorge Americano (1891 – 1969), formado na USP em 1912; ele escreveu dois livros sobre São Paulo, "São Paulo naquele tempo – 1895 a 1915" e "São Paulo nesse tempo – 1915 – 1935". Foi ainda deputado estadual e federal e secretário do MEC.
Voltando à minha viagem a São Paulo para participar no congresso, escolhi a Rodovia dos Bandeirantes por achá-la mais segura que a Anhanguera. Fiz uma viagem tranquila e entrei em São Paulo com as marginais ainda vazias. Rapidamente cheguei a Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira e após estacionar fui me esquentar na primeira barraquinha do campus, onde tomei dois chocolates quentes que foram salvadores.
Sobrevivi ao frio que era mais intenso devido à proximidade do Rio Pinheiros. Naquela oportunidade as reuniões anuais da SBPC ainda abrangiam as Ciências Aplicadas, Ciências do Homem, Matemáticas, da Matéria, do Meio Ambiente, da Terra do Universo e da Vida. Hoje, várias dessas ciências realizam reuniões anuais isoladas como é o caso da S.B.Q, Sociedade Brasileira de Química, dado o gigantismo em que se transformou uma reunião com tantas vertentes científicas.
Assim o grande crescimento nas participações de pesquisadores, gerou a necessidade de organizar eventos em um enfoque mais específico e mais produtivo. Neste congresso tive a alegria de encontrar muitos colegas e de discutir bastante o meu trabalho que indicava o uso de catalisadores zeolíticos (minerais alumino-silicatos), para converter etanol em diversas frações de gasolina. Almoçamos no restaurante universitário e sempre enturmados.
A emoção de estar novamente em minha terra e na universidade mais importante da América Latina foi demais. Era só o começo da caminhada que me levou à carreira de professor de nível superior. Naquele dia bateu um sentimento profundo de gratidão aos meus pais, avós e professores por ter me proporcionado uma carreira nobre e vital para o desenvolvimento de nosso país. Dedico este texto ao meu leal amigo de 34 anos, Prof. Dr. Sebastião P. Eiras.
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