Restaurante Panamericano-Largo do Arouche

No canteiro circular, a réplica em bronze do Augusto da Prima Porta, cujo original foi encontrado nessa região de Roma, alça o braço, apontando para a direita. Mas, se olharmos para o lado oposto,o final da Av.Vieira de Carvalho,veremos o local onde ficava o tradicional Panamericano.

Não sei há quanto tempo estava ali, mas era um estabelecimento com características singulares.
Discreto, aparentemente simples, só ao entrar é que dava-se conta de sua sofisticação.
Era mesmo despretencioso; comiam ali desde políticos de nome aos funcionários classe média da região. O atendimento, a todos era simpático e impecável, e os preços, creio, moderados.

Sua ótima cozinha variava desde sua famosa carne sêca com pirão, sua "piéce de resistence", a lagosta, polvo e belos frutos do mar. Grande carta de vinhos, onde era acessível um bom Chateau Neuf du Pape.

Aquela bela região, com o charmoso Lgo. do Arouche e a Vieira de Carvalho era dotada de outros ótimos restaurantes; o antiguíssimo Carlino, o exuberante Rubayat, o pitoresco La Casserole e os mais simples, mas honestos Gato que Ri e Almanara. E o bastante modesto Arroz de Ouro, o macrobiótico da esquina.

Mas o Panamericano era mais íntimo e acolhedor, era como almoçar em casa. Êles faziam questão que o cliente se sentisse à vontade. À noitinha, havia quase um happy-hour, com belos bolinhos gratuítos, para acompanhar o uísque. Estive lá muitas vezes,com colegas de firma, amigos e namoradas, e de lá só trouxe boas lembranças.

Um dia deixei a Vieira de Carvalho, para novas paisagens e aventuras. E,como sempre, muito trabalho, numa região distante e com novas atrações. Assim, não pude despedir-me do bom restaurante. Quando voltei lá, muito tempo depois, já não existia, sem que ninguém pudesse explicar a razão.

Seus garçons ainda tentaram reeditar seus pratos, num lugar mais modesto, mas não deu certo.
O Panamericano não tinha volta.
Tanto sucesso, e agora nada mais restava. As coisas em São Paulo são mesmo assim.

Em frente, a estátua de Augusto continuava apontando para o vazio, cada vez maior.