Essas Reminiscências têm um caráter mais afinado com os vestibulandos da década de 50 (fim) e 60 (começo). Para se ingressar numa faculdade, tão escassas na época, era quase obrigatória a preparação nos chamados cursinhos. Para a turma de medicina ou área da saúde, despontavam o curso Brigadeiro, Av. Liberdade, o 9 de Julho, na Praça da Liberdade e um pouco mais fraco, o Di Tulio também na região da Liberdade. Na área de engenharia estava o imbatível Anglo Latino, na Rua Tamandaré. Professores de grande competência serviam de chamariz.
Assim, Tadasi Ito, Clezio Morandini, Farina, Teixeira, eram atrações do Brigadeiro. Roger Patti, Renato Liechten (?), Ayushi Amar e Geraldo Camargo atraíam alunos para o 9 de Julho. O Anglo Latino tinha suas feras: Simão Faiguenboim, Fleury, Cid Gueli, Marmo. Cada qual em sua matéria, eram idolatrados. Dr. Dráuzio Varela, no 9 de Julho, na sua segunda tentativa, conversava muito durante as aulas. Era chamado de veterano. Ingressou e, juntamente com o acadêmico de medicina, acho que Paulo Sawaia e o atual proprietário do grupo Objetivo e UNIP, Di Genio, davam aulas práticas no 9 de Julho.
Lá estava também o Mamoru ou Minoru. Di Genio era um "bon vivant", inteligente, de roupa branca, sapatos sem meias. Adorava perturbar a secretária do curso. Paulo, com seus desenhos, ilustrava bem as aulas de botânica. Tadasi Ito, ao escrever no quadro negro, tinha a mania de movimentar o dedo mindinho. Dava aula de Física e era aluno brilhante na Faculdade de Medicina Pinheiros (USP). Outro aluno não menos brilhante, na Pinheiros: Roger Patti que ministrava Biologia, Genética, Botânica e Zoologia no curso 9 de Julho, cujo proprietário, Geraldo Camargo, era incomparável em Química, didática fabulosa.
O Clezio Morandini desenhava como um artista, o Ayushi era clone do Pierono, cujos livros eram chamados de bíblia. Renato Liechten (?) acendia um cigarro no outro. Diziam que o Cid Gueli, de Botucatu, era um autodidata em Matemática. Todos professores, verdadeiros crânios, como eram chamados na época. Os alunos estudiosos, CDFs. O curso Universitário e Med, preparatórios para engenharia e medicina, iniciavam suas atividades respectivamente na Bela Vista e Augusta.
O Roger Patti era um palmeirense incorrigível, na época a matéria era ditada, não havia apostilas, o homem tinha uma memória fantástica, dava aula também no Colégio Bandeirantes. Não me lembro do corpo docente do Di Tulio. No Anglo Latino, além dos citados, havia outras feras que o tempo apagou da minha memória. No fundo do cursinho, num nível bem abaixo, havia uma quadra de basquete onde desfilei muitas vezes minha habilidade de bom arremessador (que falta de modéstia, hein?). Ali conheci alguns jogadores de basquete do Tiete e Corinthians, que estudavam no Anglo.
Havia uma professora de português respeitadíssima, tanto pela didática, como pelo domínio que exercia sobre a classe. Incrível, era da colônia japonesa! Seu nome: Tsuya Ono. Era do Brigadeiro, mas parece que lecionou também no Anglo. Incrível, porque na época japoneses e descendentes eram considerados péssimos em português.
Fugindo um pouco do foco de cursinhos da Liberdade, havia um na Praça da Bandeira que objetivava mais os cursos de Odontologia e Farmácia. Ficava no 17º andar, edifício situado no começo da Av. 9 de Julho. Faltou citar o cursinho para Direito. Parece que se situava na Rua São Bento, ou imediações do Largo São Francisco. Essas Reminiscências foram escritas sem qualquer consulta ou pesquisa, fruto da convivência com os vestibulandos residentes em uma pensão da Rua Siqueira Campos,186 (só nisseis). Fui aluno do Colégio Paulistano na Rua Taguá. Matemática: René, Português: Felipe Jorge, Francês: uma morena, inesquecível de tão linda, que não guardei o nome.
Aqui encerro Reminiscências, agradeço as manifestações elogiosas de carinho e, mesmo aos que não gostaram do programa de índio, o meu muito obrigado.
Abraços a todos.
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