Reminiscências IV

Para onde foram os grandes magazines como Mappin, Exposição – Clipper, Mesbla, Ducal (terno com duas calças), Sensação Modas, Cássio Muniz, e etc.? A Garbo, garbosamente se mantém até hoje. Quem nunca comprou uma camisa na Colombo, Ricardi, Kosmos, Chiodi? E os sapatos, seriam da Eduardo, Brasília, Clarck ou Scatamacchia?

Bailes de formaturas em São Paulo eram realizados no Clube Pinheiros, Palácio Mauá, Casa de Portugal, Sírio, C.R. Tietê, Sírio-Libanês, Harmonia e para ser bom, a batuta era de um Luis de Arruda Paes, Osmar Milani, Silvio Mazuca ou Enrico Simonetti. Como é possível que no final da década de 50 ou no começo de 60 o povo pode usufruir gratuitamente de espetáculos inesquecíveis com Souza Lima, Armando Belardi e outros maestros de renome?

E hoje? Nada? Refiro-me aos Concertos Matinais Mercedes-Benz, realizados no Teatro Municipal. Era um ritual, como ir à missa dominical. Vestia-se a melhor roupa. Lado direito do Municipal, Rua Conselheiro Crispiniano, uma loja que se tornaria famosa: a Marisa e na esquina com a Barão de Itapetininga uma mercearia com bebidas finas. Grandes lojas na Conselheiro, G. Aronson, Cinótica, Fotoptica e, lógico a Casa Anglo Brasileira, ou seja, o Mappin.

Atravessando o Viaduto do Chá, o imponente edifício Conde Francisco Matarazzo hoje sede da prefeitura de São Paulo. Na Xavier de Toledo o Edifício da Light, uma edificação maravilhosa transformada em Shopping. Com entrada pela Rua Libero Badaró, o Othon Palace que teve sua época de esplendor hospedando políticos, artistas, etc. Ainda na Libero, mais pelo lado do Largo São Bento uma mercearia com produtos importados de alta qualidade.

Nomes como Prestes Maia, Jânio Quadros, Faria Lima, e mais tarde Mário Covas marcaram a gestão (prefeitura) com obras marcantes. Paulo Maluf com obras polêmicas. Outros filhos que reverenciamos: Maria Esther Bueno, Eder Jofre, Adhemar Ferreira da Silva, Angelim (basquete), Adoniran Barbosa, Demônios da Garoa, Guilherme de Almeida, Paulo Bonfim, muitos outros e mais tarde Emerson Fittipaldi, Ayrton Senna, Carlos Pace, Servilio de Oliveira (boxe).

A noite imperava a prostituição na região conhecida como boca do lixo, Rua Santa Efigênia e imediações que durante o dia era agitada por um comércio forte de eletroeletrônicos. Por ali também produções cinematográficas de baixo investimento revelando bons produtores. Estação rodoviária defronte a estação ferroviária Sorocabana que tinha um movimento fantástico. Na Praça da Bandeira havia o Teatro de Alumínio, onde coristas faziam a festa. Outro teatro do gênero era o Teatro Natal, na Praça Júlio Mesquita. Teatro do rebolado.

A inauguração do conjunto Nacional na Av. Paulista foi o início para a transformação da mesma no grande centro financeiro da cidade. Sargenteli e suas mulatas brilharam por ali no Oba-Oba. Lanche de office-boy era churrasco grego (juro que nunca provei) de aparência e cheiro delicioso. Ao lado, sempre as esfihas abertas que eram vendidas em duplas. Tinha na Rua Sete de Abril, esquina com a Marconi, rua famosa pelos consultórios médicos e dentistas de renome. Outro ponto de esfihas era na José Bonifácio esquina com a Quintino Bocaiúva, quase vizinho com a loja de instrumentos musicais, Irmãos Vitalle.

Parece que a Rádio Recorde funcionava no pedaço. Avenida São João esquina com a Rua Formosa, outro ponto, porém a mais famosa ficava na antiga Rua Pagé (hoje Kherlakian) com a também antiga Rua Santo André (Abdo Schahim). Era a esfiha do Paco que ficava num caldeirão. Formavam filas para adquiri-las. Naquela zona, Rua Paula Souza onde funcionava a Rádio Bandeirantes. Um dos primeiros restaurantes self-service parece que foi o Moon que ficava na Galeria Metrópole, Av. São Luis.

Lembram-se da casa de aeromodelismo? Pois é, ficava na Major Sertório. Comércio atacadista de roupas, José Paulino onde apesar de sua estreiteza ainda circulavam bondes, uma loucura. A pujança de suas indústrias, a acolhida de todas as raças e etnias e seu cosmopolitanismo são orgulhos dos paulistanos, quiçá dos brasileiros. Outro acontecimento inesquecível foi à chuva de prata promovida pelas indústrias Baby Pignatari. Foram atirados milhares de triângulos de papel alumínio, o céu ficou cintilante.

Assim apesar de não conseguir ordenar tudo em uma ordem cronológica encerro com certa nostalgia do tempo em que podíamos assistir filmes na sessão da meia noite, perambular noite afora, folhear os últimos lançamentos nas duas livrarias da Av. São João.

Essa São Paulo que conheci e vivi talvez a sua fase mais romântica, era a terra da garoa, dos bondes, da gravata obrigatória, das linha de ônibus Norte-Sul, Circular, Lapa-Penha, Avenida 2, 3, Papa-fila, etc.

Aos contemporâneos essas reminiscências haverão de fazer com que os neurônios cerebrais funcionem para revitalização da alma.

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