Recordações de carnaval em São Paulo

Na década de 30, os primeiros sinais do carnaval apareciam nos primeiros dias de janeiro, quando as emissoras de rádio tocavam diariamente as marchinhas que seriam cantadas nos três dias de folia.

No primeiro domingo de janeiro já apareciam as primeiras crianças fantasiadas, nas matinês dos cinemas. Na Rua do Gasômetro, os bondes que iam para o centro passavam lotados de foliões fantasiados e mascarados. Os moradores sentavam-se nas calçadas para apreciar e vigiar a criançada que brincavam de guerrear com lança perfume.

Havia ainda os bailes de carnaval do clube da Cia. Gaz que animavam mais o carnaval de minha rua. Numa noite, minha mãe levou a mim e minhas irmãs para ver o corso na Avenida Rangel Pestana. Fomos fantasiados e ficamos encantados com a beleza do espetáculo. Os carros sem capotas, com moças e rapazes alegres e fantasiados. Em dado momentos os carros paravam porque o confete e a serpentina em grande quantidade impediam os carros de prosseguir. As moças desciam e vinham brincar com as pessoas que estavam assistindo enquanto os moços tentavam abrir o caminho e as crianças mergulhavam naquele mar de confete.

Em outra ocasião minha mãe e uma vizinha nos levaram para ver o rei Momo na Avenida São João. Era enorme, de papelão e ficava no alto da Praça Antonio Prado e de frente para a avenida, de modo que era visto por toda a Avenida São João. Ficamos em frente ao Bar Automático, entre a Rua Libero Badaró e a Rua Anhangabaú. O Bar automático para quem não o conheceu era "sui generis" e nunca houve outro igual. Não tinha funcionários, e com moedas a pessoa tinha acesso ao lanche preferido.

No inicio dos anos 40, o Palmeiras deu seus bailes de carnaval no cine Gloria e as filas para entrar eram enormes, iam até a Rua do Lucas. Alguém disse que o Lima e o Pipi, que eram jogadores e ídolos da torcida e que eu só conhecia pelas figurinhas das balas futebol, estariam lá. Fui conferir, e era verdade, lá estavam, humildes e como qualquer mortal aguardando a sua vez.

Ah… se fosse hoje? Abraços.

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