Rua Joaquim Floriano a principal rua do bairro do Itaim Bibi, teve seu nome em homenagem a Joaquim Floriano de Toledo, que nasceu em São Paulo aos 09/06/1794, filho do cirurgião Francisco de Paula Xavier de Toledo. Foi ele deputado e vice presidente da provincia de São Paulo. Faleceu em São Paulo no dia 18/04/1875. Esta rua foi aberta na antiga Chácara Itaim, propriedade de Leopoldo Couto de Magalhães. Entre 1910 e 1920,
A Rua Joaquim Floriano que, naquela época, era considerada a "estrada principal" – com oito metros de largura, seu leito era todo de pedregulho e ladeada de magnólias – teve sua origem em um terraço, que servia de caminho para a Casa Grande da chácara. Foi a principal via de acesso ao bairro, pois continuava a Avenida Brig. Luís Antonio. Foi também a primeira a receber asfalto, luz e água; foi o primeiro núcleo comercial, cultural, de prestação de serviço e de lazer.
Na Rua Joaquim Floriano surgiu o primeiro açougue do bairro (o de D. Assunta), costumava-se dizer que "tudo estava na Joaquim Floriano" (padaria, venda farmácia, parteira, médico, delegacia, cinema, grupo escolar). Porém, dois estabelecimentos marcaram mais fortemente a história desta rua: o primeiro deles é a fábrica de chocolates "Kopenhagem", fundada por David Kopenhagem e sua esposa D. Anna, imigrantes da Letônia, que chegaram ao Brasil em 1925. Outra mulher também de destaque na Rua Joaquim Floriano, era dona Dulce Borges Barreiros. Adhemarista roxa. Era sempre candidata a vereadora, deputada, mas nunca ganhou uma só eleição. As pessoas não gostavam muito dela, por ser rica. Ela era a dona do cine Itaim, na esquina da Rua Joaquim Floriano com a Rua tapera (hoje Bandeira Paulista), era esse o único cinema do bairro do Itaim Bibi. Depois ela construiu um prédio de uns quatro ou cinco andares na esquina da Rua Bibi (Renato Paes de Barros) e na parte de baixo fez outro cinema, o Cine Star, hoje o Cine Luimiere. O cine Itaim deixou de existir. Eu conheci a rua desde o final dos anos 1940, quando ela ainda era de terra. Depois foi calçada com paralelepípedos, e bem mais tarde asfaltada. Por ali passava o ônibus 52 Itaim que ia até o vale do Anhangabaú. No tempo da Guerra, com o racionamento da gasolina o ônibus aquele chamado de focinho de cachorro, que chegou a andar com dois enormes cilindros de gasogenio na parte de trás, devido o racionamente da gasolina no periodo da guerra, este ônibus foi substituido por outro com frente reta pelo governador Ademar de Barros em 1947.
Também tinha o racionamento de farinha que era importada da Argentina. Eu e minha irmã Teresa, íamos às quatro horas da manhã, ela com 11 anos e eu com seis, na fila do pão, na esquina da Rua Joaquim Floriano com a Rua João Cachoeira, na padaria do seu Delfim, buscar pelo menos um filão de pão cada um. A rua começava no largo da Maná, onde os pracinhas da FEB (força expedicionária brasileira) radicados no Itaim foram recepcionados na volta quando a guerra acabou. No largo da Maná (Hoje, Praça, Don Gastão Liberal Pinto) tinha a padaria com o mesmo nome. Dali a rua ia até a curva que dava para a Rua Iguatemi, onde se localizava o sanatório Bela Vista, onde os loucos fugiam e pediam para nos garotos não dizer que eles tinham passado por ali. Não demorava muito vinham vários médicos e enfermeiros correndo atrás perguntando se tínhamos visto eles. Quando não era gente correndo atrás dos loucos, era uma correria atrás de tarados, que tinham infelicitado alguma moça. O Itaim era muito jóia! Na esquina da Joaquim Floriano com a Rua Tapera tinha o rinque de patinação. Ali se realizou muitos casamentos de Ciganos, cuja festa tinha a duração de três dias. Comiam, Bebiam, Dançavam. Até os leigos a cultura deles entravam para comer algo. Mais adiante tinha o grupo escolar Aristides de Castro, onde iniciei meus estudos. Em frente à casa Paes. Ao lado a delegacia, cujo "delegado" era o professor Alfredo Cunha, também o orador de qualquer festa que tivesse. Na esquina com a Rua Arnaldo (Urussui) tinha o bar onde se jogava bilhar, fazia jogo de bicho e apostas de corridas de cavalos. (a chamada Ximbica) Mais adiante a farmácia do seu Brandão, e ao lado o terreno Baldio que o Mazzaropi, tinha seu circo teatro, e no tempo de eleições faziam-se os comícios do bairro. Na esquina da Rua da Ponte (Clodomiro Amazonas) o bazar São Benedito, existente até hoje. E em frente à famosa padaria, Marialva. A Rua Joaquim Floriano era o verdadeiro palco no tríduo de Momo (carnaval) O bairro inteiro para lá se deslocava, era uma brincadeira gostosa na guerra dos lança perfumes, que ainda não era proibido, e também de confetes e serpentinas. Enfim muitas saudades daquele maravilhoso tempo em que às coisas eram feitas dentro do maior respeito.