Quo Vadis

Esta história aconteceu comigo no ano de 1953. Eu tinha 13 anos e estava passando nos cinemas o filme “Quo Vadis”, que era proibido para menores de 14 anos. O filme era o maior sucesso de bilheteria no mundo todo!

Tentei entrar no Cine Goiás, localizado em Pinheiros. Não consegui. O porteiro pediu meus documentos, então, eu disse que já tinha 14 anos e havia esquecido os documentos. Mas não adiantou…

Fui tentar no Cine Itapura. Nada feito: novamente não consegui entrar.

Estava louco para assistir ao filme. Ficava horas observando os cartazes… A mocinha (Deborah Keer) amarrada no tronco de madeira, com um touro vindo em sua direção, e o gigante Ursus protegendo a mocinha.

Eu morava na Rua da Consolação. E foi num dia de chuva que falei para os amigos: “Eu vou entrar no Cine Rio!” (depois de anos, Teatro Record). Coloquei uma capa de chuva e um chapéu de meu pai e falei: “Seja o que Deus quiser! Eu vou assistir ao filme!”.

Não entrei nem no Cine Rio. Eu queria parecer mais velho com o chapéu, mas o porteiro não caiu em meu golpe…

A minha sorte foi que o filme ficou em cartaz durante muitos meses. Logo, passou a ser uma questão de honra conseguir assistir a tal filme.

Até que meu irmão, vendo meu sofrimento, arranjou na escola em que ele estudava uma carteira de estudante em branco. Mandamos faze um carimbo com o nome da escola; coloquei a minha fotografia na carteira, carimbei e preenchi todos os dados. E fui direto ao Cine Metro na Avenida São João!

Fui todo chique, com terno e gravata. Cheguei ao porteiro, ele pediu os documentos e mostrei a carteira de estudante muito bem falsificada. E entrei!

Quando eu já estava dentro do cinema, fiquei muito emocionado. Fui ao banheiro e chorei de alegria. Eu tinha conseguido entrar para ver o filme que eu mais queria assistir: Quo Vadis, com Robert Taylor, Deborah Keer, Peter Ustinov.

E-mail: [email protected]