Quem são sai aos seus, degenera!

Comecei a trabalhar na USP quando do início de funcionamento da Escola de Comunicações Culturais, hoje ECA – Escola de Comunicações e Artes, lá por 1967 ou 68.

Naqueles primeiros anos, tudo era muito improvisado: algumas aulas eram ministradas no prédio da Reitoria; outros cursos eram dados no Pavilhão B9, uma espécie de barracão muito mal adaptado especialmente para a turma que fazia Cinema, Teatro ou Jornalismo.

Na ECA pude trabalhar com gente do naipe de Miroel Silveira, Sábato Magaldi, Otto Scherb, Luiz Celso Piratininga, André Casquel Madrid (Leonardo de Castro), Alexandre Kadunk e muita gente boa, tanto que alguns, hoje, são até nome de rua, homenagem mais do que justa.

No entanto, não quero falar sobre intelectuais da USP ou da ESPM, onde também trabalhei, nem de alguns acontecimentos que presenciei ou participei, alguns até muito importantes.

Vou contar um fato que aconteceu com um amigo meu, ex-funcionário da ECA, ex-morador aqui do bairro da Previdência e, também, meu padrinho de casamento.

Seu nome é Paulo Sérgio Patusca, e quando frequentava as Escolas de Samba de São Paulo, figura querida na Mocidade Alegre, era conhecido apenas como Paulo Gordo.

O nome Patusca não lhes diz nada? Não faz lembrar alguém muito famoso no futebol brasileiro? Araken Patuska? É! Vocês acertaram, vão ganhar o moto-rádio!

O Paulo Gordo era sobrinho do Araken Patusca e do Arí Patusca, filho do Ararê Patusca e neto de Sizino Patusca, lendário Presidente do Santos Futebol Clube dos tempos de Urbano Caldeira. Família de cobras, dizendo melhor, de sucuris. Mas, infelizmente, o Paulo era, além de gordo, absurdamente ruim de bola…

Num domingo pela manhã, nossa turminha estava batendo uma bolinha na Praça Marcelo Tupinambá, uma brincadeira inconsequente, pura diversão e o Paulo estava só observando na beira do campinho. Mas advinhem quem vinha descendo a Rua Ladislau Roman para ver o “lelê”? É, ele mesmo, o próprio Araken e o irmão Ararê, dois campeões.

O Paulo, quando os viu, começou a gritar: "Para a bola! Deixa eu entrar, me deixa entrar!”. Claro que ele entrou, era uma brincadeira. Tentou matar uma bola no peito, no estilo Bauer, mas na hora "H", ficou com medo e tirou o corpo fora; pisou na bola e caiu; tentou correr e não conseguiu, botou os bofes para fora…

Olhamos para a calçada e lá estavam os dois irmãos estupefatos, absolutamente siderados vendo a "brilhante" atuação do Paulo. Ainda ouvimos o Ararê falar para o Araken:
– Vamos subir, acho que o almoço deve estar pronto…
– É… Vamos, mas que m…! Esse seu filho não joga p… nenhuma…
– E eu não sei? Eu te disse, o negócio do Paulo é samba e gandaia…

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