Quem não se lembra do Penha-Lapa, aquela linha de pequenos ônibus montados pela Caio que saía da Penha lá na Zona Leste e ia serpenteando pela av. Celso Garcia, av. Rangel Pestana atingindo o Parque D. Pedro, a praça Clóvis Beviláqua, a Sé, o viaduto do Chá, até atingir a São João e dali se dirigir para as bandas da Água Funda, Pompéia até atingir a Lapa.
A princípio, nos idos dos anos 1960, eu ía com o Penha-Lapa até a praça João Mendes de onde pegava outro ônibus para o Cambuci onde estudava. Já um rapaz eu o tomava e ia trabalhar na Vila Romana, descia próximo da estação ferroviária da Lapa e subia a pé para a Vila Romana. Nessa época começava a era dos computadores, pois lá os produzíamos, ainda muito rudimentares.
Por essa época o Penha-Lapa já trafegava pela av. Radial Leste. O Minhocão também é dessa época. Me acostumei a ler nos ônibus e li romances inteiros nessas viagens, além de jornais como o Estadão e a Folha.
Tempos difíceis aqueles. Quando o terminal dos ônibus passou a ser no Parque D. Pedro, de onde removeram quase todas as árvores, só sobrando um corredor de asfalto, a cavalaria circulava por entre os operários e estudantes intimidando-nos e nos ameaçando.
Permanece vivo em nossas memórias as inúmeras amizades, amores e histórias ali vivenciadas.
Diariamente lotado, esvaziava e tornava a encher algumas vezes até chegar na Lapa, circulando os mais diversos tipos de diversas etnias, como só em São Paulo se poderia ter.