Tínhamos um grupo e fazíamos nossas reuniões mensais no Brooklin, Rua Américo Brasiliense, reunião onde era exigida a participação de todos os elementos.
Nesse grupo participavam pessoas da Bahia, do Paraná, de Belo Horizonte e, para facilitar a chegada dos membros de outros Estados e garantir a presença de todos, eu e outros participantes da capital íamos de carro apanhá-los na Rodoviária Tietê e Barra Funda, pois muitos alegavam dificuldade para chegar até o Brooklin, local do encontro.
Em 1983, estávamos todos reunidos no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo Apostolo e também aniversário de nossa querida cidade, para mais uma reunião importante, além de também comemorarmos o próprio aniversário do nosso grupo, que foi fundado em 25 de janeiro de 197l.
A reunião estava demorando por falta de um único companheiro que precisava estar presente sem falta. Afinal, era o tesoureiro e teria que fazer a obrigatória prestação de contas.
A reunião deveria começar as 09h, porém, o relógio já marcava 10h15min e nada do companheiro aparecer… Desesperado, olhei para o relógio, não acreditando que o dito cujo chegaria a tempo de fazer a prestação de contas, já que a reunião iria até o meio-dia; após o almoço estava combinado com o grupo um passeio ao belo e acolhedor Parque do Ibirapuera, e depois uma ida até o Jardim Botânico.
Em vista disso, resolvi ligar para a residência do companheiro que morava em Santana na Rua Doutor Zuquim.
– Alô. – Atende uma voz de criança sussurrando.
– Alô. Seu pai está?
– ‘Tá’. – ainda sussurrando.
– Posso falar com ele?
– Não – disse a criança bem baixinho.
Meio sem graça, eu tentei falar com algum outro adulto:
– E sua mãe? Está aí?
– ‘Tá’.
– Ela pode falar comigo?
– Não. Ela ‘tá’ ocupada.
– Tem mais alguém aí?
– Tem – sussurrou a criança.
– Quem?
– ‘O Puliça’!
Surpreso e preocupado, continuei:
– O que ele esta fazendo aí?
– Ele ‘tá’ conversando com o papai, com a mamãe e com o ‘Bombelo’.
Ouvindo um grande barulho do outro lado da linha, me apavorei. E perguntei, assustado:
– Que barulho é esse que eu estou ouvindo?!
– É ‘Licópito’.
– Meu Deus! Um helicóptero?!
– É. Ele ‘tlouxe’ uma turma de busca!
– Minha Nossa Senhora! O que eles estão fazendo aí?!
E a voz da criança sussurrou com risinho safado:
– Eles estão me procurando, ‘tô’ escondido.
Hoje em dia, esse garotinho está com 30 anos e com certeza não se lembra mais disso…
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