Era o ano de 1953, Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Praça Silvio Romero, no Tatuapé.
Padre Miguel me chamou e disse:
“- Venha ajudar na via sacra, é só acompanhar segurando a vela”.
E eu vestido com aquela batina vermelha e bata branca, não entendia, e nunca entendi, aqueles panos roxos cobrindo as enormes imagens dos santos e os “quadrilhos” da via sacra, não.
“… pela virgem dolorosa… sua mãe tão piedosa”…
… E seguia a via sacra.
Até que chegou a Semana Santa.
Eu, no alto da torre tocando o sino, e a procissão do encontro serpenteava a praça com o andor da imagem de Nossa Senhora indo ao encontro da outra, que vinha com a imagem de Jesus Cristo carregando a cruz.
Sexta-feira, silêncio total, no rádio só músicas clássicas e religiosas, jejum até o meio-dia, carne nem pensar, e minha mãe nos servindo o pãozinho com aliche e guaraná em pequenas doses.
Outros tempos em que a religiosidade era maior do que o comércio de ovos de chocolate.