Primeiras experiências escolares

Estudei no Grupo Escolar Barão de Ramalho, na Penha. No meu primeiro dia de aula, queria ir sozinha para a escola, não era tão longe, mas também não era perto. O pior não era a distância, mas sim as ruas que eu teria de atravessar até chegar ao meu destino e que cortavam a Avenida Amador Bueno da Veiga. Era uma avenida muito movimentada e fazia a ligação da Penha com os bairros que levavam à Ponte Rasa, Ermelino Matarazzo, São Miguel, etc.

Eu me considerava muito independente e queria fazer o percurso sozinha, achando que daria conta do recado. Mas a mamãe não caiu na minha conversa e fez com que meu irmão me levasse e tive de aceitar. Ela tinha razão, pois os carros saíam da avenida e entravam rapidamente nas ruas que cortam a avenida (até hoje é assim) e uma delas, a Francisco Coimbra, era a mais perigosa. O início dela, saindo da Amador, é muito inclinado e até hoje eu teria receio de passar ali.

Chegando à escola, que era em uma travessa dessa avenida, fiquei surpresa: era um barracão de madeira, dividido em salas de aula. A minha professora, Dona Odila, era uma senhora (na época pareceu-me bem velhinha) muito meiga, de cabelo branco preso em um birote (de onde desenterrei essa palavra?). Gostei dela logo de primeira. Muito calma e atenciosa, tratava a todos com carinho, pois sabia que era o nosso primeiro contato com o mundo escolar.

Voltei para casa com o meu irmão, mas dizendo que no dia seguinte ele não mais precisaria me levar ou buscar. E assim aconteceu, a partir do segundo dia, não sei como convenci a mamãe que não precisava se preocupar, que eu sabia que teria de tomar muito cuidado e etc. A partir desse dia, as aulas começaram no prédio novo, de alvenaria, muito bonito! Achei lindo! Os corredores muito amplos, grandes e largas escadas saindo de cada lado do pátio para dar acesso às salas de aula. Fazíamos fila no pátio para entrar, tanto na entrada da manhã como na volta do intervalo (recreio). Cantávamos o Hino Nacional – se eu não me engano às sextas-feiras – antes de subirmos para a aula.

Na Semana da Árvore, os alunos que se destacavam plantavam árvores no jardim – sem falsa modéstia, plantei algumas e com muito orgulho! Quando passo por lá, olho e fico me perguntando se por acaso mantiveram todas as árvores plantadas por todos os alunos ao longo dos anos… Sei que não, só divago. Creio que, ao atingirem um determinado tamanho, eram retiradas e replantadas em algum outro lugar, pois não haveria lugar para tanto. Em um parque, talvez.

Como era importante, para mim, figurar no Quadro de Honra ao Mérito, que era um medidor de aproveitamento! Hoje em dia, se falarmos disso para uma criança ou jovem, morrerão de rir! Ao tirar o diploma, minha professora, dona Aicy chamou-me e disse: "Regina, você tirou a nota mais alta, mas a sua colega Áurea, foi um mês mais do que você primeira da classe. Você não acha que ela merece a medalha de Honra ao Mérito pela ocasião do diploma? Ela receberia a medalha e você um lindo livro de contos".

Vocês não fazem ideia da minha alegria por essa proposta. Claro que eu valorizava demais a classificação, mas, por outro lado, adorava ler e pensei que iria aproveitar mais o livro do que a medalha. Aceitei na hora, sem pestanejar! Amei o livro que ganhei – O Pássaro Azul e outros contos maravilhosos chineses. Li, reli, li e reli um sem número de vezes, sempre com o mesmo entusiasmo. Não tínhamos dinheiro para comprar livros e eu era apaixonada por leitura (até hoje). Já procurei por esse título na internet, mas todos que encontro não correspondem àquele da minha infância.

Tive ótimos professores, mas gostei, particularmente, da dona Aparecida, da terceira série. São delas as maiores lembranças que tenho desses anos: ela ensinou-nos a desenhar o sabiá laranjeira, contou-nos a estória do Patinho Feio (fiquei tão triste, com tanta pena dele que até chorei!), mostrou como se desenhava uma árvore copada e muitas outras coisas que me marcaram bastante.
O nosso diretor era o Sr. Oliveira, homem rígido, justo e competente.

Tínhamos aula de puericultura, cujos cadernos eu tinha o maior orgulho. Eram do tipo cartografia e a minha madrinha desenhava lindas flores, raminhos, rococós em toda a margem. Ela ensinou-me a ter capricho e cuidado com os cadernos e livros. Foi uma época boa e marcante para mim, da qual sinto bastante saudade.

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