Meu pai foi sorteado com uma casa no conjunto residencial do IPESP, no bairro do Caxingui, no distante ano de 1954, e para lá mudamos no mês de fevereiro, algumas semanas depois do início dos festejos do IV Centenário da cidade.
Caxingui? Onde fica isso? Minha mãe se perguntava. Na verdade o Caxingui ficava no começo do fim do mundo, não tinha condução para o centro, não tinha um comércio importante, não tinha nenhum atrativo especial, mas tinha um cinema, o Cine Caxingui, que às terças e quartas mostrava dois filmes japoneses sem legendas em português. Explica-se: o Caxingui ficava na zona de influência da Cooperativa Agrícola de Cotia, assim como outros bairros que ficavam à margem da antiga Estrada de Itapecerica, hoje Avenida Prof. Francisco Morato, bairros massivamente habitados por integrantes da colônia japonesa.
Minha família foi a segunda ou terceira a se mudar para o recentíssimo bairro da Previdência. Em menos de um ano as seiscentas casas do conjunto residencial estavam ocupadas. Em três anos começou a ocupação da outra parte do bairro, o "Previdência de cima", e em pouquíssimo tempo o Previdência fundiu-se ao Caxingui, na parte baixa, e ao Jd. Bonfiglioli, na parte alta. De repente quase duas mil famílias mudaram-se para a região e, então, começou a explosão de progresso para o bairro.
Hoje tenho 70 anos, terminei minha adolescência no Previdência, tornei-me adulto, trabalhei, me aposentei, tive cinco filhos e netos. Minha esposa, Odete, foi cabeleireira no bairro e deixou muitas mulheres muito mais bonitas do que já eram. Algumas ainda a procuram para "mexer" nos cabelos, mais por força da amizade construída ao longo de muitos anos do que por necessidade, porque envelheceram bem e ainda mantêm aquela beleza madura, um presente dos deuses.
Meus amigos seguiram o mesmo caminho, a maioria já morreu, muitos venderam a propriedade deixada pelos pais e mudaram-se para outros bairros, até para outros Estados ou países, de maneira que eu me sinto como sendo o último dinossauro sobre a face do planeta.
Gostaria muito que alguém comentasse este modesto texto e inserisse sua visão do Previdência/Caxingui para complementação dessa historieta.
Um abraço, a todos!
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