Preito de saudade

Quem somos, de onde viemos e para onde vamos?

Não éramos amigos íntimos, apenas amigos e nos dávamos muito bem. Seu nome: Laércio Pincelli.
Conheci-o aqui no Brooklin, quando certa ocasião, tratando de negócios, percebi tratar-se de uma pessoa honesta, de boa índole, afável e bem humorada. Sempre bem trajado, elegante, tipo da pessoa que se cuida. Não bebia e nem fumava e adepto de caminhadas e exercícios.

Contando espontaneamente e sem afetação, disse que tinha sido um empresário considerado rico e que por circunstâncias imponderáveis do destino perdeu tudo e só conseguiu manter alguns imóveis alugados, cuja renda propiciava manter-se juntamente com a esposa, pois os filhos já estavam formados e trabalhando.

Era um excelente "chef de cuisine" e sempre dando-me as "dicas" de como fazer isso/aquilo, principalmente quanto ao uso de temperos.

Íamos no Ceagesp de madrugada somente para comprar "frutos do mar", pois era especialista em tal prato.

Havíamos combinado dele fazer uma bacalhoada em minha residência, cujos "lombos" já havia comprado e aguardando apenas marcar o dia.

Eis que, noite já, recebo um telefonema da esposa que ele estava internado em estado grave na UTI do hospital.
– “Como? Mas o que aconteceu? Não é possível?”
Pneumonia e complicações renais… Não dava para acreditar!

Foi-se o amigo e ficou a saudade. Nessas horas vemos como é efêmera a vida e que nada somos e vem à memória a frase filosófica que repito:
Quem somos, de onde viemos e para onde vamos?

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