Na época, e com o Cine Niterói fechado, era apenas uma rua erma e escura, ao lado das movimentadas praças da Liberdade e João Mendes. A praça nem servia de passagem para a Avenida 23 de Maio, só inaugurada em 1967. Tão apagada que deveria ser chamada de “Nho Tônico”, apelido do grande maestro e compositor de” O Guarani".
A esquina da Praça Carlos Gomes ficava muito mais clara e alegre com aqueles andares iluminados, e alunos entrando e saindo de um curso que dava esperança a todos que haviam parado os estudos. “Madureza”, início do supletivo.
Era o Santa Inês que seus Diretores, Anderson, Vasco e Narvaes, fundaram certos de que estariam plantando cultura para esta completa e deliciosa cidade de São Paulo. Posteriormente estes geraram também o Curso Objetivo e a Editora Ática.
Ah! Mas agora vou falar especialmente da minha turma. No início do curso já estava previsto que mais de 50% dos matriculados acabariam desistindo por uma série de fatores: trabalho, condução, distância, compromissos, etc. Por conta disso chamávamos o curso de "umadureza".
Assim, duas classes se tornaram apenas uma, originando a turma EF. Impossível esquecer os professores daquela época, que na verdade eram verdadeiros artistas e amigos: José Bantim, Nakata, Nelson Baccaro, Almeida, Amaral, Paulo e do próprio Vasco.
O ritmo das aulas era puxadíssimo, com professores que premiavam os melhores alunos com "livros". Aos sábados davam aulas para nós, para revisar as matérias… Ninguém merece!
Em alguns domingos tínhamos excursões com o Nakata, encerrando a semana. A classe tinha até fotógrafo para registrar as ocasiões especiais. As aulas eram muito animadas e agradáveis. Intervalos agitados e barulhentos para acordar. Traz lembranças engraçadas.
Certa vez um dos alunos (O Brahma) reparou que o Professor Almeida entrava em aula pronunciando o “boa noite” assim:
– "Bá Noite pessoal".
Tivemos a pachorra de ensaiar a classe, e quando ele entrou todos nós bem sérios em uma só voz gritamos:
– "Bá noite" – deixando o professor bem aturdido e sem entender nada, demorando até para se recuperar de tantas risadas.
Um grande colega que se destacou dos demais sem dúvida foi (falecido) Paulo Kobayashi, que posteriormente seguiu carreira de professor, e entrou para a carreira política. Foi um dos fundadores do PSDB e seguiu em frente.
A turma era bem ativa e divertida, e cá entre nós, deixamos marcado um fato bem engraçado na vida de certo colega: contávamos a todos que, para pagar os estudos, ele trabalhava no Teatro do Rebolado nos fins de semana. A ideia surgiu quando o visitamos certa vez em sua pensão e vimos uma fantasia da Carmem Miranda em cima do guarda roupa, (era de antigo morador). Não o perdoamos.
Inesquecíveis também foram os amigos, Valentim, Espanhol (Sanches), Nélson, Geraldo, Pedro, Paulo Romo, Kiti (Cabo), minha irmã Kimiê e as lindíssimas da classe: Joarina, Edwiges, Carmem, Japinha, Gracelinda e Tereza.
Gostaria de ter memória para lembrar-me de todos da classe e saber para onde o tempo os levou, na certeza de que também contribuíram para engrandecer nossa São Paulo alguma forma.
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