Há exatamente cinquenta e cinco anos, em 17 de setembro de 1955, meus pais, Maria Thereza e Léo, casaram-se no civil em um cartório no Jardim Paulista e num ritual religioso, na Igreja da Imaculada Conceição, situada na Avenida Brigadeiro Luís Antonio.
Ela, paulistana, neta de imigrantes italianos e calabreses. Simpática, bondosa, modéstia à parte, também linda e talentosa, operária no Laboratório Paulista de Biologia, fã do cantor e quase vizinho Agostinho dos Santos, nascida e criada no Bixiga. Ele, angrense, estudante de direito em Niterói, que adorava cantar, especialmente boleros, descendente de portugueses, espanhóis, holandeses e índios.
Ela o conhecera acompanhando uma tia que havia ficado viúva e veio passar uns dias em Angra dos Reis, na casa de amigos portugueses de longa data, que antes viviam no Jabaquara. E assim, horas, dias, meses e quase um ano acabou findando, sem que meu pai não fosse a visitar em São Paulo ou lhe escrevesse cartas e poemas.
Porém, se reencontraram. Nasci após um ano de casamento entre os dois, e meu irmão, após quatro anos.
Minha mãe nunca deixou de amar São Paulo. Mas também, até o final de sua vida, aos quase 75 anos, adotou Angra dos Reis como sua cidade e a amava como ninguém. Chegou até a receber o título de cidadã angrense. Porém, para homenagear São Paulo, a terra da garoa, das verduras e legumes, frutas, feiras, movimento, arranha-céus, cultura e tradição, fez questão que nascêssemos em São Paulo.
Nasci no Hospital São Paulo, localizado no Jardim Paulista, e meu irmão, no Pró-Matre Paulista. Fui criada em Angra dos Reis, mas todo o ano passava férias em São Paulo. Vivi também de dezembro de 1965 a janeiro de 1968 em São Paulo no bairro do Bixiga, bairro querido que aprendi a amar, conhecer e admirar. Visitei também outros bairros de São Paulo e gostei muito, como Jabaquara, Pinheiros, Aeroporto, Vila Mariana, Campo Limpo, entre outros. Aprendi a admirar São Paulo com minha mãe e todos os lugares especiais que ela gostava, como o Parque Trianon, o Ibirapuera, a Avenida Paulista, a Avenida Nove de Julho, o centro antigo da cidade, etc. E pude aprender a amar a cultura e tradição da terra, contada por ela, pacientemente e animadamente, todas as noites, como a Festa da Achiropitta, o Cine Rex, o Museu do Ipiranga, o Bosque da Saúde, o Adorinan Barbosa, o Armandinho Pugliese, a Feira da Praça Dom Orrione, a Liberdade, a Escola de Samba Vai-Vai…
Meus pais acabaram se separando e minha mãe assumiu sozinha a responsabilidade de cuidar da criação dos filhos e dos sogros. Mais tarde, meu pai quis voltar para casa, mas foi tarde demais. Faleceu em 1991, aos 54 anos de idade. Contudo, minha mãe vivia de um jeito todo alegre, até 12 de fevereiro de 2008, quando faleceu, assim como viveu: animadamente e laboriosamente.
Gosto de escrever e quero relatar o que sinto sobre São paulo através do site do São Paulo Minha Cidade. Por isso estou aqui.
Sou muito grata a São Paulo, por abrigar meus avós imigrantes e por ser a terra de minha mãe!
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